Sejam frases, rostos, números ou símbolos, as tatuagens têm sempre um significado. Há quem diga que rapidamente o gosto se torna um vício, e há quem prove esta tese pela quantidade de registos que tem no corpo. Depois, há quem faça das redes sociais autênticas telas para expôr os desenhos marcados no corpo.

Tim Hendricks e Sara Fabel são dois dos tatuadores mais populares no Instagram. O primeiro conta com 200 mil seguidores, a segunda com 450 mil. As fotografias das suas tatuagens e dos desenhos que fazem para os clientes são registadas naquela rede social. A publicação na internet e a consequente partilha que ultrapassa quaisquer fronteiras é uma forma de “imortalizar a arte”, considera a artista. Daqui a muitos anos, elas ainda estarão lá. “Não é como no papel, que desaparece facilmente”, acrescenta Hendricks.

Hoje os aspirantes a tatuadores conseguem entrar mais facilmente no meio através das redes sociais, que “facilitaram muito a interação”. Mas Hendricks lembra que antes destas tecnologias o processo era muito complicado. “Quando comecei, tive de aprender a mexer numa câmara de filmar. Copiava os negativos, escrevia uma carta e enviava tudo num envelope com selo”. Depois mandava os trabalhos para os outros tatuadores e “esperava que eles me mandassem os trabalhos deles – era a única forma de conhecer o trabalho dos outros artistas”. Demorava demasiado tempo para ver a evolução uns dos outros, recorda.

“Agora, em cinco segundos, consigo ver 10 fotografias. É muito bom porque estimula a concorrência e estamos sempre a ver outras formas de criar”. Os elogios são de Sara Fabel, mas Tim Hendricks concorda. O tatuador refere que a partilha de fotografias e a facilidade em conversar com qualquer tatuador de qualquer parte do mundo ajuda muito ao crescimento e à evolução das técnicas e das cores usadas. “Se eu vir um tatuador num país qualquer a usar as cores de uma determinada forma, posso tentar fazer o mesmo logo no momento a seguir aqui”, justifica.

A tatuadora e modelo fotográfico diz que “não esperava um sucesso tão imediato” quando abriu conta no Instagram. Os seguidores aumentam “imenso todos os dias”, revela. Sara Fabel assume que o Instagram também serve para “medir a audiência”, ou seja, para perceber as opiniões das pessoas, os seus preconceitos ou não, e as tendências da área. E também ajudam os amantes de tatuagens e aprendizes da arte: “as redes sociais são uma excelente plataforma para começar pequenos negócios na área e para os artistas se promoverem”. Tim Hendricks agradece à “tecnologia” grande parte do sucesso, e sintetiza: “O Instagram mudou a arte das tatuagens”.