O presidente da Rússia, Vladimir Putin, e o presidente da Ucrânia, Petro Poroshenko, falaram esta quarta-feira ao telefone para encontrar alternativas para o Leste da Ucrânia. Falou-se em cessar-fogo, mas passadas algumas horas todos os esforços desapareceram.

Inicialmente, segundo o “The Washington Post“, Putin discutiu um acordo de paz com o seu homólogo ucraniano “Os chefes de Estado discutiram a crise militar e humanitária na Ucrânia. Trocaram opiniões sobre o que fazer em primeiro lugar para pôr fim, o quanto antes, ao derramamento de sangue no sudeste” da Ucrânia, disse o porta-voz de Putin, Dmitri Peskov.

“Os pontos de vista dos presidentes sobre as possíveis vias para sair desta grave crise são em grande medida coincidentes”, acrescentou.

Contudo o mesmo porta-voz acrescentou que “Putin e Poroshenko não acordaram um cessar-fogo na Ucrânia porque a Rússia não é parte do conflito, apenas discutiram o que se pode fazer”.

A BBC revelou que o presidente ucraniano, Petro Poroshenko, chegou a acordo, por telefone, com o presidente russo, Vladimir Putin, para um “cessar-fogo permanente” nas regiões de Donetsk e Luhansk.

Porém, passadas algumas horas, de acordo com o New York Times, Poroshenko decidiu voltar atrás nas suas declarações: anunciou que o primeiro comunicado foi “longe demais ao descrever os resultados da conversação.”

Cessar-fogo?

O anúncio do suposto cessar-fogo foi feito no dia em que o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, se desloca à Estónia para um encontro com os líderes dos países bálticos e um dia antes da reunião da NATO no País de Gales. Recorde-se que a NATO anunciou pretender adotar um plano de ação para dar segurança aos aliados do leste. Segundo o jornal “The New York Times”, os 28 países da NATO criaram uma força de 4 000 homens capaz de replicar em 48 horas a qualquer movimento de tropas russas no leste da Europa.

Também nesta quarta-feira, a morte de um fotojornalista russo na Ucrânia, no mês passado, foi confirmada. Andrei Stenin trabalhava para a agência noticiosa Rossia Sevodnya e foi morto a 6 de agosto no leste da Ucrânia. O carro em que seguia foi atingido com vários disparos e depois queimado. As tropas ucranianas pensavam que seria um rebelde. Só agora o seu corpo foi identificado.

As informações sobre o cessar-fogo foram veiculadas através da rede social Twitter, pela agência estatal russa.

https://twitter.com/ria_novosti/status/507076180881977344

O próprio presidente da Ucrânia anunciou o “cessar-fogo permanente” na rede social.

Mas agora, tudo parece voltar à estaca zero.

Já morreram mais de 2600 militares e civis e mais de um milhão de pessoas abandonaram as suas casas depois do conflito ter estoirado no leste da Ucrânia, em abril, quando o separatistas pró-russos declararam a independência.

A Rússia negou as acusações do governo ucraniano de mandar tropas e equipamentos militares para apoiar os separatistas.

Em conferência de imprensa na Estónia, o presidente dos Estado Unidos Barack Obama falou sobre o alegado cessar-fogo com precaução. “É muito cedo para dizer o que significa este cessar-fogo. O presidente prometeu voltar ao tema durante o dia.