Os ministros das Finanças da zona euro não se comprometem com uma posição sobre a derrapagem orçamental em França, que diz que precisa de mais dois anos para reduzir o défice orçamental para menos de 3% do PIB, e chutam para depois do orçamento francês uma posição.

Reunidos em Milão no Eurogrupo informal, os ministros das Finanças discutirão o caso francês, depois do ministro das Finanças de França, Michel Sapín, ter admitido na quarta-feira que a França só em 2017 conseguirá reduzir o défice orçamental para os níveis aceitados pelas regras orçamentais europeias.

À chegada à reunião, o ministro das Finanças holandês e presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, disse que tomou nota dos resultados apresentados pelo homólogo francês mas que as suas declarações são apenas “o início do debate, e não a sua conclusão”.

“Os franceses ainda têm de fazer e terminar o seu orçamento para o próximo ano e ai veremos, a Comissão primeiro e depois o Eurogrupo, em que ponto estão e fizeram o suficiente para respeitar o pacto, mesmo tendo em conta a flexibilidade do pacto”, afirmou aos jornalistas, relembrando que de acordo com as regras do semestre europeu a Comissão irá dar um parecer à proposta de Orçamento do Estado de França prévio à sua aprovação no Parlamento francês.

O ministro das Finanças alemã, Wolfgang Schaüble, alinhou pela mesma linha, dizendo que só depois de França apresentar a sua proposta de orçamento (a 01 de outubro) “a comissão irá analisar se está em linha com as regras europeias” e que depois se seguirá a discussão do mesmo nas reuniões dos ministros das Finanças da zona euro (Eurogrupo) e da União Europeia (Ecofin).

O governante alemão lembrou também que Michel Sapin anunciou ao mesmo tempo que a França irá incluir um corte adicional de 21 mil milhões de euros na despesa pública na sua proposta de orçamento.

A razão apontada pelos franceses para esta nova derrapagem nas metas é o fraco crescimento económico, revisto em baixa novamente depois da estagnação verificada nos dois primeiros trimestres do ano.

A França já tinha conseguido adiar por dois anos a redução do défice orçamental para estar de acordo com as regras europeias, para 2015, e agora pretende que seja alcançada apenas em 2017.

Michel Sapin disse então que a França não estava a pedir nenhuma exceção, apenas que os responsáveis europeus tivessem em conta a realidade económica, que é de crescimento fraco e inflação demasiado baixa.

Mas no mesmo dia a chanceler Alemã, Angela Merkel, foi dizer ao Parlamento que os países têm de manter a disciplina orçamental: “Devemos levar muito a sério quando a Comissão Europeia apontou, de forma acertada, que a reduzir os esforços de reforma são o maior risco à recuperação” económica, disse.

Alemanha deve gastar mais?

O ministro das Finanças da Alemanha respondeu ainda às recomendações de Bruxelas para que a Alemanha gaste mais em investimento, dizendo que a Comissão está a dar sinais contraditórios.

“A Comissão também diz que devemos manter a trajetória de consolidação orçamental e continuá-la. Ainda temos a nossa dívida em 75% [do PIB] e até agora as recomendações da comissão europeia, se olharmos para os elementos individuais, são contraditórias”, afirmou.