Até 2011, as mulheres militares do Reino Unido não podiam servir em submarinos. A justificação para tal proibição eram os elevados níveis de dióxido de carbono ali presentes, que alegadamente teriam efeitos nocivos para a saúde feminina e dos fetos, caso as militares estivessem grávidas. Nesse ano, com base em nova pesquisa científica que dizia serem infundados esses receios, o governo britânico decidiu permitir a admissão de mulheres neste tipo de aparelhos. Três anos depois, chegaram as três primeiras oficiais e, pelo sim pelo não, a Marinha ordenou a instalação de um novo sistema de filtragem do ar que reduz o dióxido de carbono a bordo dos submarinos.

O novo sistema permite analisar e controlar os níveis deste composto químico no ambiente fechado dos submarinos e há uma preocupação específica com as grávidas, uma vez que, com a nova filtragem, o feto não ficará exposto a quantidades excessivas de dióxido de carbono, uma vez que a mãe não o respira. Isto significa que, a partir de agora, na Marinha britânica, uma mulher poderá continuar a exercer a sua profissão mesmo que engravide.

E pode engravidar a bordo. Ou, pelo menos, é o que muitos líderes militares receiam. Aquando da discussão sobre se as mulheres deviam ou não ser admitidas na tripulação de submarinos, em 2010, gerou-se um debate – que durou cerca de 18 meses – sobre a eventualidade de poderem vir a ocorrer escândalos sexuais no interior destes equipamentos, que passam longos períodos de tempo em missão e onde o espaço é reduzido. É, aliás, essa a justificação dada pela Marinha dos Estados Unidos para não ter tripulantes mulheres: “a habitabilidade e a privacidade muito limitadas a bordo”. Na Marinha do Reino Unido, as relações sexuais entre membros da tripulação de um submarino são estritamente proibidas.

As primeiras três oficiais a servir num submarino britânico foram admitidas em maio deste ano. Uma delas, a tenente Alexandra Olsson, descreveu à BBC a experiência de trabalhar com 165 homens como viver “com uma família muito estranha”.

“Claro que é desafiante, mas as mulheres são perfeitamente capazes de fazer este trabalho. Penso que a mudança é sempre um pouco chocante, mas estou ansiosa por ver cada vez mais mulheres a bordo”, disse.

Segundo os jornais ingleses, em 2011 pelo menos 150 militares grávidas de todos os ramos das forças armadas foram repatriadas do Afeganistão e do Iraque. Até 2014, a secção de submarinos da Marinha britânica era o único ramo desta força que ainda não tinha mulheres nas suas fileiras. Na semana passada, uma das primeiras militares assumidamente lésbicas das forças armadas do Reino Unido tornou-se a quarta mulher a integrar a tripulação de um submarino.

O sistema de filtragem do ar que permitirá que grávidas possam continuar a trabalhar num submarino já está a ser testado em diversos destes veículos e, durante os próximos anos, deverá fazer parte de toda a frota britânica.

A Marinha portuguesa já admite mulheres nos submarinos da armada desde 2008.