Cansados dos estereótipos em torno da comunidade muçulmana e da sua associação ao extremismo, à violência e à intolerância, quatro marroquinos criaram um grupo no Facebook que visa a denúncia da violência feita em nome da religião. Aproveitando o slogan da campanha britânica “Not in my name” (“Em meu nome não”), Ahlam Jebbar, Narjis Rehraye, Réda Jallil e Ahmed Ghayat chamaram ao grupo “Machi Bessmity”, a tradução do slogan britânico para árabe. E, se não percebeu o objetivo, há um vídeo feito por profissionais do cinema e audiovisual, que preferem manter-se no anonimato, a explicar:

“Esta campanha de sensibilização visa dar a possibilidade a todos os marroquinos de denunciar a violência feita em nome da religião”, anunciou o Turismo de Marrocos. E é isso mesmo que se pode ler na página da rede social. “Machi Bessmity tem por objetivo dizer que enquanto Muçulmanos negamos a estes criminosos o direito de dizer que agem em nosso nome, em nome da nossa religião, a qual especifica que “matar um inocente é matar toda a humanidade”.

Assim, os promotores da página convidam “cada um – seja qual for a sua religião – a dizer que enquanto humano nega aos que cometem estes crimes de fazê-lo em seu nome!”.

“Dizer que em caso algum os atos de crueldade perpetrados por fanáticos sanguinários podem ser cometidos no nosso nome, não pode ser atribuídos ao Islão”, explica o comunicado do Turismo de Marrocos.  

A página – uma estreia no mundo árabe – foi criada sexta-feira e conta já com mais de 6500 membros. Entre eles há jornalistas, ministros e administradores de empresas públicas e privadas de Marrocos. Sem cariz político, “é a única iniciativa deste tipo no mundo árabe muçulmano e quisemos continuar a ser fiéis à especificidade do nosso país: a diversidade!”, diz Ahmed, um dos fundadores.