A Ucrânia “não quer a paz” e faz “um jogo duplo”, disse o líder separatista pró-russo Aleksandr Zakharchenko, eleito hoje “presidente” da autoproclamada “República de Donetsk”.

“A Ucrânia não quer a paz, como diz. Manifestamente joga um jogo duplo”, disse Zakharchenko numa conferência de imprensa em Donetsk, após ter sido declarado vencedor da eleição presidencial, organizada pela República separatista.

“Até agora eu não entendi a política de Kiev. Estamos prontos para o diálogo, mas esperamos deles uma atitude normal e razoável, acrescentou.

O chefe da comissão eleitoral criada pelos separatistas, Roman Liaguine, afirmou que Zakharchenko obteve mais de 70% dos votos após contagem realizada em mais de 50% das mesas de voto.

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A União Europeia (UE) e a Rússia voltam a estar em campos opostos, desta vez por causa das eleições separatistas no leste da Ucrânia que são “respeitadas” pelo Kremlin e consideradas “ilegais” pela UE.

“As eleições em Donetsk e Lugansk ocorreram de forma pacífica, com uma elevada taxa de participação”, disse o ministro dos Negócios Estrangeiros russo, citado pelas três principais agências de notícias russas, a propósito das eleições presidenciais e legislativas que se realizaram este domingo nas regiões controladas por separatistas pró-russos no leste da Ucrânia. “Respeitamos a vontade do povo do sudeste (da Ucrânia)”, refere um comunicado da diplomacia de Moscovo.

A União Europeia fez saber que não reconhece o ato eleitoral, que considera “ilegal”, vendo nestas eleições um “novo obstáculo” para a paz na Ucrânia.

A nova chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini, considerou ainda, em comunicado, que as eleições vão contra o espírito dos acordos de cessar-fogo e de paz assinados em setembro.

Também o presidente ucraniano Petro Poroshenko já criticou as “pseudoeleições”, considerando-as “uma farsa” e “um acontecimento terrível que não tem nada a ver com a expressão da vontade dos cidadãos”.

As regiões separatistas pró-russas de Donetsk e Lugansk votaram este domingo para escolher os presidentes e parlamentos regionais, numa eleição que visava legitimar a independência declarada unilateralmente mas considerada ilegal por Kiev.

Ao lado do governo ucraniano, também a ONU, a União Europeia, a NATO e vários países ocidentais consideram que o voto separatista viola a legislação ucraniana e mina os esforços que conduziram à assinatura de um memorando de paz em setembro.