A ministra das Finanças recusou esta quinta-feira no Parlamento rever já as previsões económicas em que a proposta de Orçamento do Estado assenta, argumentando que não é razoável ajustar previsões “a cada duas semanas” e diz que as previsões até têm uma margem de prudência.

“Nós não podemos ajustar previsões a cada duas semanas, não é razoável e não faz sentido. (…) Isso não é forma de fazer orçamentos e não é de todo razoável. Estamos a falar de previsões”, afirmou a ministra das Finanças na audição que fecha as idas dos ministros à comissão parlamentar de Orçamento, Finanças e Administração Pública para discutir o orçamento.

Maria Luís Albuquerque respondia ao deputado socialista João Galamba, que na sua primeira intervenção questionou o que considera ser o excessivo otimismo do Governo nas previsões económicas. “Não acha que o risco de não materialização de algumas importantes variáveis deste orçamento aumentou nestas ultimas semanas?”, questionou o deputado.

A governante respondeu ainda dizendo que na opinião do Governo até existem margens no orçamento de prudência na construção das previsões.

“Não nos parece excessivamente otimista, parece-nos até que tem margens razoáveis de prudência”, afirmou, dizendo que não faz sentido estar a alterar os dados que servem de base à construção do orçamento “a menos que haja mudanças significativas que impliquem a sua revisão”.

De quem é a maior responsabilidade na dívida?

O deputado socialista tinha ainda questionado as responsabilidades do atual Governo PSD/CSD-PP e do anterior Governo socialista no aumento da dívida pública.

João Galamba lembrou que a primeira parte do empréstimo da troika, que foi a de maior dimensão e de valor superior a 20 mil milhões de euros, foi transferida para os cofres do Estado na segundo trimestre, influenciado assim o valor da divida pública imputado ao anterior Governo.

A ministra respondeu dizendo que antes da troika chegar não havia reservas financeiras do Estado que permitissem ao Governo escolher a melhor altura para ir ao mercado, indicando que boa parte do valor estará em depósitos.

“O que aconteceu antes da troika é que não havia reservas absolutamente nenhumas”, disse.