O mauzão dos desenhos animados “Motoratos de Marte”, futura estrela de cinema interpretado por Nicolau Breyner e até perguntas se fará stand-up comedy. É isto que se tem visto no Twitter, numa altura em que o advogado de José Sócrates ganhou o estatuto de estrela. Enigmático, desconcertante e com humor, é assim o estilo de João Araújo.

Mas, afinal, quem é João Araújo?

Desconhecido para a maioria, João Araújo, o advogado de José Sócrates, transformou-se na nova sensação mediática. Antes havia curiosidade, pois foi surpreendente ter sido ele a aparecer no Campus da Justiça, para representar o ex-primeiro-ministro, e não Proença de Carvalho como acontecera noutros assuntos, nomeadamente em processos movidos contra jornais e jornalistas. Agora existe a expectativa em redor da narrativa do advogado. Qual será a próxima pérola? João Araújo começou por dizer que era um advogado estagiário. Depois, abriu o livro com frases como “precisam que peça o habeas corpus para ir embora?” ou “vim cá [ao Campus de Justiça] ler os jornais”.

Mas há mais exemplos. Como está a correr [o processo]? “Bem”. Como está José Sócrates? “Melhor do que eu”. A resposta está sempre na ponta da língua, com um jeito sério-jocoso. As redes sociais abraçaram no imediato o tom e estilo desconcertantes desde advogado. A última tirada, na noite de domingo, quando José Sócrates, sorridente, caminhava para a terceira noite consecutiva nos calabouços da PSP, não deixou ninguém indiferente. “Onde está a minha viatura? É um Smart…”, começou por dizer, pedindo depois para se deslocar sozinho para o carro, sem a companhia dos jornalistas e das câmaras. Porquê? “Fico ridículo porque sou gordo e o meu Smart é pequenino”.

João Araújo, natural de Goa, de 65 anos, estudou na Faculdade de Direito de Lisboa e entrou na Ordem dos Advogados em outubro de 1977. Advogado de “excelência e de gabarito”, foi assim que Artur Marques, um conhecido advogado de Braga, o classificou, em declarações ao Público. “Sentido de ironia extremamente cáustico”, adicionou. O advogado, apesar de ser desconhecido para a maioria das pessoas, esteve envolvido no passado em casos mediáticos. Nos anos 80, foi advogado de Humberto Dinis Machado e Maria Helena Pereira no caso FP-25, segundo o Sol. Os representados foram colados às práticas terroristas do grupo, que estava associado a atentados à bomba, homicídios e assaltos.

O Expresso lembra ainda que, nos últimos tempos, representou a mãe de José Sócrates em casos relacionados com o Fisco. Mais: há sete anos, o advogado participou na comissão de honra da candidatura de António Costa às eleições intercalares da Câmara de Lisboa.