Imputações “absurdas, injustas e infundamentadas“. Foi nestes termos que José Sócrates, ao sexto dia de detenção e ao segundo de prisão preventiva, apresentou a primeira peça de defesa. Fê-lo através do advogado, João Araújo, num comunicado enviado à TSF, no qual se queixa do “espetáculo montado” em torno da sua detenção para interrogatório — que considerou “uma infâmia“. O antigo primeiro-ministro classifica de “humilhação gratuita” a decisão de o colocar em prisão preventiva e deixou uma ressalva: “Este processo é comigo e só comigo” – qualquer envolvimento do PS “só me prejudicaria, prejudicaria o Partido e prejudicaria a Democracia“, afirmou José Sócrates.

O ex-primeiro-ministro é indiciado por sete tipos de crime, de acordo com informações reveladas pela SIC. Quatro crimes de corrupção – corrupção ativa para titulares de cargos políticos, corrupção ativa prevista no código penal, corrupção passiva para ato ilícito e corrupção passiva para ato licito – branqueamento de capitais, fraude fiscal e fraude fiscal qualificada.

No entanto, José Sócrates garantiu que “não [tem] dúvidas” de que o caso “tem contornos políticos” e diz que tomou “agora consciência de que as circunstâncias devidamente selecionadas” contra si “pela acusação”, que “ocupam os jornais e as televisões”, constituem “fugas de informação”.

Dirigindo-se aos que tomaram a decisão de o deter e prender preventivamente, mas sem nunca nomear o juiz Carlos Alexandre ou a Procuradora-Geral da República Joana Marques Vidal, José Sócrates comentou ironicamente: “Aqui está toda uma lição de vida: aqui está o verdadeiro poder – de prender e de libertar. Mas, em contrapartida, não raro a prepotência atraiçoa o prepotente“.

O ex-governante afirmou, ainda, que se defenderá “com as armas do Estado de Direito”, que diz ser “as únicas” em que acredita, e dedicou o último parágrafo aos seus amigos e camaradas socialistas: “(…) Quero o que for político à margem deste debate. Este processo é comigo e só comigo. Qualquer envolvimento do Partido Socialista só me prejudicaria, prejudicaria o Partido e prejudicaria a Democracia”, numa mensagem clara aos socialistas para se manterem afastados do processo, de forma a não prejudicarem a imagem do partido em vésperas de eleições.

José Sócrates termina o seu comunicado com um aviso: “Este processo só agora começou“.

Pode ler aqui o comunicado na íntegra enviado pelo ex-primeiro-ministro à redação da TSF: