A taxa de inflação na zona euro voltou a cair em novembro, afastando-se cada vez mais do objetivo do Banco Central Europeu (BCE) e aumentando a pressão sobre Mario Draghi para que o banco central anuncie mais estímulos monetários.

O gabinete europeu de estatísticas, o Eurostat, indicou esta manhã que a taxa de inflação dos preços no consumidor na união monetária desacelerou para 0,3% em novembro, contra a taxa de 0,4% no mês anterior. Esta é a estimativa rápida que o Eurostat divulga habitualmente nos últimos dias de cada mês (ou nos primeiros dias do mês seguinte), pelo que pode vir a ser revista pelo gabinete de estatísticas.

Os preços da energia, cuja quebra homóloga se acentuou para 2,5%, continuam a travar a evolução dos preços no consumidor na zona euro. Em 0,3%, a taxa de inflação está cada vez mais longe do objetivo do BCE, que tem como objetivo de médio prazo uma taxa de inflação abaixo mas perto de 2%.

Especialistas dizem que o próximo passo do Banco Central Europeu será um programa de compra de ativos que inclua a aquisição de dívida pública.

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O conselho de governadores do BCE reúne-se na próxima quinta-feira. Os analistas não esperam, para já, o anúncio de novas medidas de estímulo – o BCE quererá esperar mais alguns meses para avaliar o efeito das iniciativas já tomadas – mas estas poderão surgir no início do próximo ano se os indicadores de inflação não derem sinais de inversão.

Mario Draghi afirmou há uma semana: “vamos fazer o que tivermos de fazer para acelerar a inflação e as expectativas de inflação o mais rapidamente possível, como nos obriga o nosso mandato de estabilidade de preços”. “Se a nossa atual trajetória de política não for suficientemente eficaz para conseguir isto, ou se se materializarem mais riscos para as perspetivas de inflação, iremos aumentar a pressão e alargar ainda mais os canais através dos quais intervimos, alterando a dimensão, intensidade e composição das nossas compras” no mercado, atirou Mario Draghi.

Os especialistas dizem que o próximo passo será um programa de compra de ativos que inclua a compra de dívida pública. Algo que o vice-presidente do BCE, Vítor Constâncio, admitiu esta semana. “Esperamos que durante o decorrer do programa, as medidas adotadas façam regressar a folha de balanço à dimensão que tinha no início de 2012″, disse o português. “Senão, teremos de considerar comprar outros ativos, incluindo obrigações soberanas no mercado secundário”.