A Terra Peregrin, da empresária angolana Isabel dos Santos, acusa a administração da PT SGPS de dificultar a sua OPA sobre a empresa e adianta que vai continuar a analisar alternativas ao investimento que tinha previsto para a empresa portuguesa. “Interrogamo-nos sobre os interesses menos transparentes que levaram a administração da PT SGPS a opor-se à chegada da oferta pública de aquisição (OPA) ao mercado, incluindo a difusão de informação comprovadamente falsa”, disse fonte da Terra Peregrin, da empresária angolana de Isabel dos Santos.

Esta posição surge depois de a Terra Peregrin ter anunciado a retirada da oferta sobre a PT SGPS. “A história desvendará as motivações da administração da PT SGPS ao dificultar uma oferta que representa 100% de prémio sobre as cotações da [brasileira] Oi, enquanto tudo fazia para estimular um negócio que destrói valor para grande parte dos acionistas”, prosseguiu a mesma fonte.

“À administração da PT SGPS será imputada a responsabilidade principal de ter dificultado o acesso dos acionistas a uma oferta ao preço de 1,35 euros”, acrescentou, apontando que “bastará acompanhar a evolução das cotações da empresa”. Nesta oferta, “usámos da máxima transparência e sempre dissemos que ela constituía um meio para atingir o objetivo da criação de um operador de telecomunicações multinacional de base lusófona”, salientou. “Estamos determinados em prosseguir essa estratégia pelo que vamos continuar a analisar alternativas ao investimento que tínhamos projetado na PT SGPS”, concluiu fonte da Terra Peregrin.

Isabel dos Santos desistiu da OPA sobre a PT SGPS, depois do regulador CMVM não ter deferido o pedido de derrogação (dispensa) de uma OPA subsequente, uma das condições da oferta. A 9 de novembro, a Terra Peregrin tinha anunciado a sua intenção de comprar a PT SGPS, oferecendo mais de 1,21 mil milhões de euros pela totalidade das ações da empresa portuguesa, ao preço de 1,35 euros por ação.

A oferta era destinada a 100% do capital da PT SGPS, que, atualmente, detém 39,73% da operadora brasileira Oi, dos quais 35,81% diretamente e o restante através de posições indiretas. Paralelamente, a Oi, que tem 10% da PT SGPS, está a vender a PT Portugal, que tem a Meo e o Sapo, entre outros, ao grupo francês Altice. Após a concretização da prevista combinação de negócios entre a PT SGPS e a Oi, que dará origem a uma nova entidade, os acionistas da empresa portuguesa irão ficar com uma posição de 25,58% dessa nova entidade.