Pode ser encarado como reflexo de desespero. A China enfrenta uma onda de assaltos violentos, que resultaram em algumas mortes, e os autores são, alegadamente, soldados norte-coreanos que estão a atravessar a fronteira em busca de comida e dinheiro. O fenómeno está a levar muitos chineses a abandonarem as localidades onde vivem.

As suspeitas recaem, sobretudo, nos guardas destacados na fronteira entre os dois países, Coreia do Norte e China. E a razão parece ser o controlo mais apertado à corrupção imposto pelo líder Kim Jong-un, desde que chegou ao poder há três anos. Kang Dong Wan, professor universitário de relações internacionais na Universidade Dong-a, em Busan, na Coreia do Sul, aponta o líder norte-coreano, e as medidas que este tomou, como as razões para o que está a acontecer: “Os subornos eram uma das principais fontes de rendimento desses guardas, permitia-lhes sobreviver, mas desde que Kim Jong-un assumiu o poder e apertou o controlo tornou-se mais difícil aceitar esses subornos, daí o aumento da criminalidade”.

O incidente mais recente foi protagonizado por um soldado norte-coreano que matou quatro pessoas em Nanping, uma vila de não mais de 300 habitantes na província de Jilin, situada perto da fronteira entre os dois países. O assassinato dessas quatro pessoas acabou por resultar numa queixa formal da China.

Todos os invernos, o congelamento do rio Tumen, que passa perto de Nanping, leva a que a distância entre os dois lados da fronteira se esbata e seja muito fácil passar para o lado chinês. E é habitual, disseram testemunhas locais à Bloomberg, os soldados norte-coreanos chegarem à aldeia e exigirem comida. O que nem sempre acaba bem. As quatro mortes sucederam a um outro incidente que resultou na morte de três membros da mesma família em setembro do ano passado. Nesse caso, de setembro, foi um civil o autor das mortes, por causa de 500 yuan, qualquer coisa como 98 dólares, ou seja, pouco mais de 84 euros.

A Coreia do Norte é um país onde as carências alimentares são sobejamente conhecidas. Na década de 1990 mais de um milhão de pessoas terão morrido de fome.