O realizador de cinema polaco Roman Polanski disse que vai cooperar com as autoridades na questão do pedido de extradição feito pelos Estados Unidos da América, a propósito de um processo aberto em 1977 em que é acusado de ter tido “relações ilegais” com uma menor.

Polanski, atualmente em Cracóvia, foi questionado pelas autoridades polacas, que esperam poder levar o processo de extradição a tribunal muito em breve. Apesar de a Polónia não permitir a extradição dos seus cidadãos, realizou um acordo com os Estados Unidos, que avançaram com um pedido no início de janeiro. A um canal de televisão, o realizador disse ter “confiança no sistema de justiça polaco” e que se irá submeter de livre vontade ao processo de extradição. “Espero que tudo corra bem”, referiu ainda.

Em 1979, Polanski fugiu dos Estados Unidos depois de ter sido envolvido num processo onde era acusado de ter tido “relações ilegais” com uma menor de 13 anos. O realizador chegou mesmo a cumprir uma pena de 42 dias, antes de abandonar o país, refere a BBC. Desde então, as autoridades norte-americanas têm tentado levar o realizador de novo para os Estados Unidos para que possa ser julgado.

Polanski tem conseguido evitar ser extraditado por circular apenas entre França, Polónia e Suíça, onde não existe um acordo de extradição. O realizador chegou a ser detido em 2009 pelas autoridades suíças enquanto viajava para Zurique para participar num festival de cinema, mas conseguiu evitar a extradição.

Polanski está atualmente a trabalhar num novo filme, An Officer and a Spy, inspirado no chamado “Caso Dreyfus”, um escândalo político francês do século XIX. Considerado uma das figuras mais importantes da cultura polaca, ganhou um Oscar em 2003 pelo filme O Pianista, cuja ação se passa em Cracóvia durante a ocupação nazi.