A ministra da Agricultura, Assunção Cristas, admitiu esta sexta-feira uma quebra na produção de azeite na campanha deste ano, ainda não quantificada, mas os eventuais prejuízos vão ser compensados com o aumento verificado no preço ao produtor.

No setor do azeite, disse, “foi um ano mau”, em virtude de “circunstâncias do clima que, depois, trouxeram outros problemas associados”, nomeadamente uma praga de mosca da azeitona e a doença da gafa.

“Prevê-se uma quebra na produção, mas a verdade é que também já há uma reação do próprio preço ao produtor”, que “subiu”, pelo que “não compensará tudo, mas permitirá compensar uma parte daquilo que é a quebra de produção”, afirmou a ministra da Agricultura e do Mar, em Ferreira do Alentejo.

Segundo a ministra, os números concretos nacionais sobre a quebra de produção no setor do azeite “ainda estão a ser recolhidos”, mas estima-se que ronde os “20 ou 25%”.

Assunção Cristas falava aos jornalistas durante a visita que efetuou hoje ao Lagar do Marmelo, no concelho de Ferreira do Alentejo (Beja) e propriedade da empresa Sovena, produtora de marcas como o azeite Oliveira da Serra.

Quanto ao preço pago ao produtor “varia um bocadinho no país”, mas a governante insistiu que “está a subir significativamente”, com aumentos na ordem dos “40 a 50%”.

Segundo a ministra, a tendência para Portugal continuar a crescer neste setor “não está em causa”, uma vez que a atual quebra deve-se apenas a circunstâncias “a que os agricultores estão habituados” e para as quais “estão preparados porque sabem que têm uma empresa a céu aberto”, que depende do clima.

“Já há alguns anos que atingimos a autossuficiência em valor no setor do azeite”, assim como “em tonelagem”, recordou Assunção Cristas, afiançando que a primeira não vai ser afetada por esta quebra, mas escusando-se, para já, sem números concretos, a dar a mesma garantia para a segunda.

“Temos um azeite de primeiríssima qualidade e, quando comparamos o preço do azeite que exportamos e o preço do que importamos, verificamos que o nosso azeite tem um preço muito superior”, afirmou, sublinhando: “O nosso azeite é vendido quase ao dobro daquilo que é o preço de compra do azeite para o mercado português”.

A ministra aludiu ainda aos mais recentes dados estatísticos da balança comercial de Portugal, realçando que, entre janeiro e novembro do ano passado, o défice agroalimentar do país diminuiu “em cerca de 609 milhões de euros”, com o setor do azeite a contribuir “na casa dos 100 milhões de euros”, o que considerou “muito positivo”.

Nesta visita à Sovena, Assunção Cristas conversou com alunos de uma escola do ensino básico de Ferreira do Alentejo e sensibilizou-os para os benefícios da dieta mediterrânica e de uma alimentação saudável, assistindo ainda a uma aula prática de culinária com o chefe Vítor Sobral.

Plantado com recurso a um sistema de GPS, o olival português do grupo Sovena conta com mais de 10 milhões de oliveiras, espalhadas por mais de 10 mil hectares, distribuídos por 57 herdades e quintas que, na campanha 2014/2015, produziram 51 mil toneladas de azeitona.