O juro máximo oferecido pelos certificados de Tesouro Mais passa dos atuais 5%, para 3,25% ao quinto ano de aplicação. As novas taxas, que vão estar em vigor a partir da próxima segunda-feira, vão reduzir a taxa média anual de 4,25% para 2,25%. Esta descida, que já tinha sido anunciada pelo governo, só irá abranger os produtos de aforro colocados a partir de fevereiro, aos balcões dos CTT.

Estas vão ser as novas taxas divulgadas esta sexta-feira pelo IGCP (Agência de Gestão de Tesouraria e Dívida Pública)
1º ano: Taxa passa de 2,75% para 1,25%
2º ano: Taxa passa de 3,75% para 1,75%
3º ano: Taxa passa de 4,75% para 2,25%
4º ano: Taxa passa de 5% para 2,75%
5º ano: Taxa passa de 5% para 3,25%

Lançados em outubro de 2013, quando o regresso de Portugal aos mercados ainda não estava assegurado, os certificados de Tesouro Mais foram os principais responsáveis pelo regresso das poupanças dos portugueses à dívida pública. Desde então este produto captou cinco mil milhões de euros de poupanças das famílias, a maioria das quais desviadas dos depósitos bancários.

 

O efeito BES

Só este ano os certificados do Tesouro Mais atraíram investimento bruto de três mil milhões de euros, o que juntando as aplicações de certificados de aforro, representa cinco mil milhões de euros de poupanças investidas na dívida do estado. Para estes montantes, contribuiu o efeito da queda do Banco Espírito Santo (BES) que levou a investimentos recorde em certificados de aforro.

Os portugueses tinham no final do ano 17 mil milhões de euros aplicados em dívida do Estado. Janeiro terá sido o último mês de corrida aos balcões dos CTT, pelo menos para já, com os aforradores a procurarem garantir a remuneração antes das novas taxas.

A taxa dos certificados de aforro sofre também cortes para novas subscrições. A taxa de juro deste produto na nova série D passa de cerca de 3% para 1,058%, uma remuneração que corre o risco de deixar de ser competitiva com os depósitos a prazo. Aliás a banca tem sido uma das vozes mais críticas à política generosa do Estado nestes produtos.

Os certificados de aforro mantêm um prémio de permanência entre 0,5% e 1%, para quem investir mais de cinco anos. A nova taxa tem por base a evolução da Euribor a três meses acrescida de 1%, mas nunca poderá ir além dos 3,5%.

O IGCP justifica as novas taxas com a “evolução dos mercados financeiros, a queda acentuada das taxas de juro quer da Euribor quer dos restantes instrumentos de dívida, vêm justificar a criação de uma nova série de Certificados de Aforro”.