O Papa Francisco declarou esta terça-feira que o arcebispo Oscar Romero, de El Salvador (América Central), é um mártir por ter morrido devido ao “ódio à fé” e não por motivos políticos, refere o site noticioso católico (Catholic News Service).

O arcebispo foi morto a 24 de março de 1980 enquanto realizava uma missa na capela do hospital de San Salvador e a possibilidade de beatificação tem sido discutida desde 1993. A polémica sobre a possibilidade de abrir caminho para a santificação de Oscar Romero tem estado nos motivos que levaram à sua morte. Teria sido morto por causa da sua fé ou por tomar posições políticas contra o Governo e contra os esquadrões da morte no país? O Papa Francisco, com a assinatura do decreto esta terça-feira, confirma que o arcebispo morreu pela fé. Tornando a preocupação com os pobres e com a injustiça económica um ato de fé, conforme nota a BBC.

O decreto oficial de martírio elimina o requisito de realização de milagre para haver beatificação, mas a atribuição de um milagre continuará a ser requerida para a canonização, explica o Catholic News Service.

O Papa João Paulo II já defendia a beatificação do arcebispo e nas visitas a El Salvador, em 1983 e 1996, tinha rezado junto ao túmulo deste. “Dentro das paredes desta catedral estão os restos mortais do arcebispo Oscar Arnulfo Romero, um pastor zeloso cujo amor a Deus e serviço aos seus irmãos e irmãs o levou ao sacrifício da própria vida de uma forma violenta enquanto celebrava o sacrifício do perdão e reconciliação”, disse o Papa João Paulo II na primeira visita.

Em 2007, o Papa Bento XVI disse aos jornalistas que o arcebispo era “certamente uma grande testemunha de fé” que “merecia a beatificação”, mas acrescentava que alguns grupos tentavam ligar o Oscar Romero aos movimentos políticos, relacionados com a Teologia da Libertação – uma interpretação da doutrina católica com maior foco nos problemas sociais. O Papa Francisco também considera que o arcebispo de El Salvador era “um homem de Deus”. “O processo tem de continuar e Deus tem de dar o sinal. Se Ele quiser fazê-lo, vai fazê-lo”, acrescentou o líder da igreja católica.

Esta terça-feira, além de ter reconhecido oficialmente o martírio do arcebispo Oscar Romero, o Papa Francisco também assinou um decreto sobre o martírio de dois padres franciscanos polacos, Michal Tomaszek e Zbigniew Strzalkowski, e um padre missionário italiano, Alessandro Dordi, todos eles mortos em 1991 por guerrilheiros no Peru.