A Forbes descreve-o como o “vendedor de chocolates mais rico do mundo” e coloca-o a ele, e à sua família, na lista dos 30 mais ricos do planeta. Michele Ferrero, o homem responsável por nos adoçar a boca com Nutella, Ferrero Rocher ou, mesmo, ovos Kinder, morreu este sábado na sua casa do Mónaco. Tinha 89 anos e estava doente há vários meses.

O presidente italiano Sergio Mattarella já se pronunciou sobre a morte do homem mais rico daquele país. Era um “empreendedor nato”, cita a BBC. A história assim o reza.

Filho de um pasteleiro de nome Pietro, autor da receita da Nutella, Michele Ferrero pôs a Nutella a ser produzida em 11 fábricas e a ser vendida em 160 países. Aproveitou o legado do pai italiano, que em plena guerra e dada a escassez do cacau conseguiu uma receita que permitisse a qualquer um adquirir um produto então considerado de luxo. Como? Juntou-lhe avelãs, um produto abundante naquela região.

Na primeira versão da receita, de 1946, O Giandujot “era um pão feito com chocolate de avelã, leite, açúcar e alguns grãos de cacau”, como informa o site da empresa. Só três anos depois, num verão  muito quente, Pietro “começa a derreter: o pão torna-se numa pasta de chocolate, cremosa e fácil de espalhar”, e depois de alguns ajustes para a receita, cria a SuperCrema.

É por esta altura, já com a morte do pai, que Michele pega no produto, tornando-se o responsável pelo crescimento explosivo dos negócios da família. Será com esta base que cria  produtos igualmente revolucionários da sociedade Ferrero: Mon Cheri, Ferrero Rocher ou Kinder. Em 1964, é feito o primeiro frasco com o nome Nutella, mas com a mesma receita.

“O meu avô viveu para encontrar esta fórmula. Ele era completamente obcecado por isto. Um dia acordou a minha avó à meia-noite e fê-la provar com uma colher”. “Como está?, “O que pensas?”, perguntou, recordo no ano passado à BBC o filho de Michele Ferrero. Giovanni falava na sequência do lançamento de um selo lançado em homenagem ao produto Nutella.

Giovani Ferrero tornou-se o diretor executivo da empresa quando o irmão mais velho, Pietro (o mesmo nome do avô), morreu num acidente de bicicleta na África do Sul, em 2011. Suspeita-se que tenha sofrido um ataque cardíaco. Pietro, 48 anos, estava numa viagem de negócios.

O grupo Ferrero emprega mais de 22 mil trabalhadores e tem vendas anuais de 8 mil milhões de euros.