A chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini, defendeu esta terça-feira em Lisboa uma ação da União Europeia para garantir que a Líbia alcance uma “solução estável” e evitar que o terrorismo se espalhe aos países vizinhos e à Europa.

“Discutimos os recentes desenvolvimentos trágicos na margem sul do Mediterrâneo, começando pela Líbia, situação que nos preocupa muito e que requer a preocupação e ação de toda a União Europeia para garantir que o país consiga finalmente uma solução estável e que o risco de instabilidade e de terrorismo não se espalhe na região, em primeiro lugar aos países vizinhos e à Europa”, afirmou a alta representante da União Europeia para os Negócios Estrangeiros e Política de Segurança, numa referência ao avanço do grupo extremista Estado Islâmico naquele país.

Federica Mogherini falava numa declaração aos jornalistas no Palácio de Belém, após uma audiência de cerca de 45 minutos com o Presidente da República português, Aníbal Cavaco Silva, no início da visita oficial que realiza hoje a Portugal.

“Tivemos uma reunião muito boa com o Presidente, a quem agradeci por me ter recebido hoje, na minha primeira visita oficial a Lisboa como alta representante, como parte das minhas visitas aos Estados-membros para criarmos juntos a nossa política comum em assuntos externos e de segurança, em tempos que são extremamente difíceis para a Europa e para cada um dos nossos Estados-membros, com ameaças e desafios, quer a sul, quer a leste”, sustentou.

A também vice-presidente da Comissão Europeia referiu que durante o encontro com o chefe de Estado português foi abordada a situação na Ucrânia e “a necessidade de garantir que o acordo que foi alcançado em Minsk seja completamente aplicado, em todas as partes”.

Outro assunto discutido na audiência foi o processo de paz no Médio Oriente, com Mogherini a defender a “necessidade de relançar as negociações” e a abordar “o papel da União Europeia no Quarteto”, composto também pela Organização das Nações Unidas, Rússia e Estados Unidos.

A situação na África subsaariana, nomeadamente no Golfo da Guiné, também foi debatida, com a chefe da diplomacia europeia a mencionar ter agradecido ao Presidente da República o “papel positivo que Portugal tem tido, em cooperação com a União Europeia, naquela região, para tentar aumentar a estabilidade numa área que é fundamental para todo o Mundo”.

A agenda da visita da alta representante a Portugal prossegue com uma reunião com o ministro da Defesa Nacional, José Pedro Aguiar Branco, seguida de uma audiência com o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho.

Federica Mogherini realiza depois um almoço de trabalho e uma conferência de imprensa com o ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete, no Palácio das Necessidades.

Depois, desloca-se para a Assembleia da República, onde será recebida pela presidente, Assunção Esteves, reunindo-se depois com os deputados das comissões parlamentares dos Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas, dos Assuntos Europeus e da Defesa Nacional.

O último ponto da agenda de Federica Mogherini prevê um encontro com investigadores, especialistas e líderes de opinião em assuntos externos de Portugal e da União Europeia, na sede da representação da Comissão Europeia em Lisboa.

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