A comissão parlamentar de inquérito ao Banco Espírito Santo e Grupo Espírito Santo quer ouvir o ex-presidente executivo da Oi, Zeinal Bava, no próximo dia 26 de fevereiro, às quatro da tarde. Para 4 de março está agendada a audição de Henrique Granadeiro, ex-presidente da PT SGPS. No dia seguinte será a vez de Luís Pacheco de Melo, ex-administrador financeiro da Portugal Telecom, que ainda está na administração da PT SGPS.

Estes três gestores vão ser questionados sobre o investimento de 897 milhões de euros da Portugal Telecom na Rioforte, uma aplicação que se perdeu com a insolvência da holding do Grupo Espírito Santo (GES). Para além do prejuízo financeiro, o investimento desastroso teve ainda consequências negativas para a empresa portuguesa na fusão com a brasileira Oi e, no limite, foi a principal razão invocada para justificar a venda da PT Portugal, já aprovada pelos acionistas da PT SGPS.

O investimento colocou em causa a gestão da Portugal Telecom e a independência face um acionista, o BES, que tinha apenas 10% do capital. A operação dos 897 milhões de euros na Rioforte, bem como toda a política de gestão de tesouraria da PT e relação com o BES/GES ao longo de mais de uma década, foram objeto de uma auditoria independente da PwC. No entanto, a gestão da operadora pediu à PricewaterhouseCoopers que retirasse das conclusões qualquer referência à responsabilidade jurídica individual dos administradores e dos órgãos sociais da PT.

Mesmo sem essa responsabilização, a auditoria identifica Henrique Granadeiro, Luís Pacheco de Mello e Zeinal Bava, como tendo conhecimento da aplicação que a operadora fez na Rioforte em fevereiro de 2014 e que foi renovada por três meses em abril do ano passado. Na altura, já a área não financeira do GES enfrentava graves dificuldades para obter fundos, mas essa realidade só viria a ser pública em maio e junho.

Não é ainda contudo totalmente evidente a dimensão do conhecimento e envolvimento do ex-presidente diretor da Oi nesta operação. Bava deixou a presidência da PT em junho de 2013, mas a gestão de tesouraria da PT Portugal, que foi uma das entidades que investiu na Rioforte, passou para a Oi na altura em que as operações terão sido renovadas.

Henrique Granadeiro demitiu-se de presidente executivo da PT em setembro, na sequência desta operação. Zeinal Bava acabou por sair da presidência da Oi em outubro, por pressão dos acionistas brasileiros. Pouco tempo depois, a empresa brasileira anunciou a intenção de vender a PT Portugal. O acordo com a francesa Altice foi aprovado em assembleia geral da PT SGPS no dia 22 de janeiro.

Próximas audições na comissão de inquérito ao BES/GES:

  • 24 de fevereiro: Gonçalo Cadete, ex-administrador da Rioforte, Jorge Martins e João Freixa, ex-administradores do BES
  • 26 de fevereiro: Zeinal Bava, 16 horas, ex-diretor presidente da Oi
  • 4 de março: Henrique Granadeiro, 16 horas, ex-presidente executivo da PT
  • 5 de março: Luís Pacheco de Mello, ex-administrador financeiro da PT
  • 10 de março: Faria de Oliveira, presidente da Associação Portuguesa de Bancos (APB)