“O ano começa com maior confiança e esperança para a generalidade dos portugueses”, disse Maria Luís Albuquerque, no final de uma homenagem a António Borges, o economista que chegou a aconselhar o atual Governo e que faleceu há ano e meio.

A ministra das Finanças pintou um ponto de partida “positivo”, alegando que “o fim do programa e o regresso ao financiamento dos mercados” ajudou Portugal a obter “contínuos sinais de recuperação económica”, que diz assentes “em finanças públicas melhores, maior estabilidade financeira e várias reformas” estruturais postas no terreno.

A mensagem positiva veio, porém, com um “mas”: “Viveremos um novo momento decisivo”. Para o explicar, a ministra recuou aos outros dois programas de assistência financeira do país, vividos nos anos 70 e 80. Também aí o país cumpriu, disse Maria Luís Albuquerque. Mas findos os programas, disse, “cedemos, repetimos os mesmos erros. Hoje, no contexto do euro, temos o dever da responsabilidade como um imperativo”. Para obter financiamento e para dar impulso à economia. A número três do Governo não falou das eleições legislativas, mas o mote estava dado para os meses que vão até setembro.

Para Maria Luís Albuquerque, o momento decisivo explica-se sobretudo pelos níveis de endividamento “ainda altos”, quer do setor público, quer do setor privado. É preciso manter as finanças públicas estáveis para a reduzir e “o potencial de reformas” de que o país precisa ainda é grande.