Tanto Marcelo Rebelo de Sousa como Pedro Santana Lopes reveem-se no perfil presidenciável traçado pelo atual chefe de Estado, no prefácio do seu livro “Roteiros IX”.

Em declarações ao Diário Económico, Marcelo Rebelo de Sousa diz ter tido a “sorte em fazer política” em momentos cruciais da política externa portuguesa”, dando como exemplo o momento de adesão de Portugal ao euro, em 1998 e o facto de ter sido o primeiro vice-presidente do Partido Popular Europeu (PPE) aquando da preparação para do alargamento a Leste da União Europeia.

“Aplicam-se a mim”, mas também “a antigos primeiros-ministros” as palavras de Cavaco, explica o professor de Direito e membro do Conselho de Estado.

Também o ex-primeiro-ministro Pedro Santana Lopes, de quem Cavaco nem sequer é próximo e que já criticou no passado, se revê no perfil traçado pelo Presidente da República, lembrando ter chefiado um Governo e ter sido secretário de Estado da Cultura.

O atual provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa considerou, em declarações à Rádio Renascença, “curioso” que o Presidente tenha excluído “o seu conselheiro de Estado Marcelo Rebelo de Sousa, por si nomeado”. Nas contas de Santana, aliás, ficam também excluídos Rui Rio (ex-deputado e ex-presidente da Câmara do Porto), Sampaio da Nóvoa (ex-reitor da Universidade de Lisboa) e Manuel Carvalho da Silva (ex-secretário-geral da CGTP). 

À direita, os nomes de que se falam são o de Marcelo, Santana, Rio e Manuela Ferreira Leite (ex-líder do PSD e ex-ministra das Finanças). Durão Barroso, ex-presidente da Comissão Europeia, já se pôs fora da corrida. À esquerda, as hipóteses são António Guterres (ex-primeiro-ministro e alto-comissário da ONU para os refugiados), Jaime Gama (ex-ministro dos Negócios Estrangeiros), António Vitorino (ex-ministro da Defesa e ex-comissário europeu). Estes três socialistas, por sinal, passam todos no crivo definido por Cavaco.

No prefácio do livro “Roteiros IX”, Cavaco escreve como é que deve ser o perfil do seu sucessor em Belém. “Nos tempos que correm, os interesses de Portugal no plano externo só podem ser eficazmente defendidos por um Presidente da República que tenha alguma experiência no domínio da política externa e uma formação, capacidade e disponibilidade para analisar e acompanhar os dossiês relevantes para o país”, defende.