A agência S&P deverá melhorar esta sexta-feira o rating atribuído à dívida pública portuguesa em um nível, o que não será suficiente para que as obrigações do Tesouro passem a ser consideradas investimento de qualidade, já que o rating está dois níveis abaixo da linha que separa essa categoria de investimento especulativo, vulgo lixo. A previsão é do Commerzbank, em nota enviada aos clientes e a que o Observador teve acesso.

“As reformas implementadas nos últimos anos [que o banco alemão elogiou em nota recente] e ao sucesso do programa de expansão monetária do BCE (…) deverão compensar facilmente os riscos associados à incerteza política interna na aproximação às eleições do outono”, escrevem os analistas do Commerbank. Estes dois fatores poderão contribuir para que o rating suba de BB para BB+.

“Parece-nos ser provável que haja uma melhoria de um nível, o que deixaria o rating de Portugal à beira de reconquistar estatuto de investimento de qualidade“. O Commerzbank acredita, portanto, que o rating deverá subir para o mesmo nível onde já se encontra aos olhos da Fitch. Fitch que, por seu turno, se pronuncia sobre o rating de Portugal na próxima semana. “Se houver uma decisão favorável por parte da S&P, isso poderá ser um bom augúrio para que a Fitch faça o mesmo na próxima semana”, diz o Commerzbank, o que no caso da Fitch significaria uma promoção para investimento de qualidade“.

As notícias positivas para o rating de ambas as agências, a confirmarem-se, deverão levar a uma procura “oportunística” pelos investidores que seguem os índices mais sensíveis aos ratings. É que boa parte dos fundos de pensões e das seguradoras, tradicionalmente os maiores investidores em dívida pública, estão impedidos pelas suas próprias regras internas de aplicar liquidez em ativos com “rating” inferior a um determinado patamar. Frequentemente, a “linha” é traçada entre aquilo que as agências consideram “investimento especulativo” e “investimento de qualidade”.

Se o “rating” melhorar, a dívida portuguesa acabará por voltar a fazer parte dos principais índices de dívida pública. Os participantes no mercado de dívida pública – tal como, de resto, nas ações – investem de acordo com um determinado índice. Compram títulos na medida correspondente ao peso desse ativo na composição do índice, ou seja, replicando-o. Em alternativa, nos chamados “fundos de gestão ativa”, os investidores adotam estratégias próprias de “apostar” mais num ativo do que noutro, “fugindo” aos pesos relativos que o índice determina. Isto para “bater” o índice, isto é, ter um desempenho superior a este. Com os sucessivos cortes de “rating”, a dívida portuguesa deixou, sequer, de integrar os principais índices.

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