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Passos Coelho mantém défice inferior a 3% mas admite incumprimento futuro se medidas forem retiradas

Primeiro-ministro manteve nesta quarta-feira que Portugal registará em 2015 um défice inferior a 3%, mas alertou para a possibilidade de não se cumprir esse objetivo em 2016.

Perspetivas apresentadas num relatório do Conselho de Finanças Públicas "são coincidentes com aquilo que o Governo apresentou", disse o primeiro-ministro

MANUEL DE ALMEIDA/LUSA

O primeiro-ministro manteve nesta quarta-feira que Portugal registará em 2015 um défice inferior a 3%, mas alertou para a possibilidade de não se cumprir esse objetivo em 2016, caso as medidas extraordinárias do Governo sejam retiradas repentinamente. “Se nada disto [medidas extraordinárias] existir em 2016, então haverá tendência para que nós não cumpramos o objetivo de ter um défice inferior a 3% e então poderemos vir a ter problemas, não com o crescimento da economia, que crescerá, mais até do que aquilo que o Governo tem previsto, mas podemos regressas a certos desequilíbrios macroeconómicos”, afirmou.

O primeiro-ministro, que falava num hotel do Algarve, na conferência que assinala os 45 anos da Região de Turismo do Algarve (RTA), disse que as perspetivas apresentadas hoje num relatório do Conselho de Finanças Públicas (CFP) “são coincidentes com aquilo que o Governo apresentou”, o que “credibiliza” a sua proposta de cenário macroeconómico incluída no OE para 2015.

No relatório “Finanças Públicas: Situação e Condicionantes (2015 – 2019)”, apresentado hoje em Lisboa, os economistas do CFP estimam que o défice orçamental ficará abaixo dos 3% em 2015, mas que, sem mais medidas, a partir de 2016 e até 2019, supere aquele limite definido pelas regras europeias. Segundo Passos Coelho, para que isso não aconteça é fundamental, durante os próximos anos, “ter sempre novas medidas de política estrutural” que garantam que o país pode “continuar a crescer no futuro”.

“Essa é a razão por que (…) tenho insistido que a remoção dessas medidas de caráter extraordinário deve ser progressiva (…) e nós, enquanto a fazemos, temos de ir adotando medidas de reforma estrutural que nos permitam remover num par de anos todas essas medidas e não confirmar aquilo que é a proposta do Conselho de Finanças Públicas”, sublinhou.

O primeiro-ministro manteve ainda que o défice este ano ficará abaixo dos 3%, apesar de as conclusões preliminares da missão técnica do FMI, divulgadas hoje, apontarem para que o défice orçamental de Portugal seja de 3,2% do PIB em 2015. “Nós sabemos o que custou trabalhar para chegarmos ao ano em que sairemos do procedimento por défice excessivo e este ano Portugal registará um défice inferior a 3%”, reafirmou.

Junto ao hotel onde Passos Coelho esteve hoje no Algarve concentraram-se várias dezenas de pessoas, numa manifestação que integrava membros da União de Sindicatos do Algarve e também das comissões de moradores das ilhas-barreira para onde estão previstas demolições.

Entoando cânticos como “é vergonhoso, o que fazem com o povo”, os manifestantes apelaram à demissão do Governo, contestando as suas políticas. Ostentavam faixas contra a introdução de portagens e também contras as demolições e alguns envergavam camisolas negras com a inscrição “je suis ilhéu”. No entanto, Passos Coelho nunca se chegou a cruzar com os manifestantes.

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