Airbus 320

Quem era Andreas Lubitz, o copiloto da GermanWings?

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"Andreas tornou-se piloto ainda jovem, para cumprir o sonho de voar", mas interrompeu a formação da Lufthansa por crise nervosa. O copiloto que terá despenhado o Airbus 320 chamava-se Andreas Lubitz.

O copiloto do avião da GermanWings que se despenhou nos Alpes chamava-se Andreas Guenter Lubitz. Alemão, tinha 27 anos e, segundo uma nota do site do clube de pilotos LSC (Luftsportclub Westerwald), citada pelo The Wall Street Journal, “Andreas tornou-se membro do clube [LSC] ainda jovem, para cumprir o sonho de voar”. O procurador francês, Brice Robin, garante que ele esteve vivo e em silêncio até ao fim, depois de se trancar deliberadamente no cockpit e iniciar a descida do aviãoAlemanha não lhe conhece quaisquer ligações a grupos terroristas.

Vários meios de comunicação internacionais, como o britânico The Telegraph, estão a publicar esta foto como sendo de Andreas Lubitz. Terá crescido na zona de Montabaur, na Alemanha.

As informações sobre quem era o copiloto estão a chegar aos poucos. O procurador francês, que nunca lhe chamou “terrorista”, assegurou, contudo, “não fazer ideia” de quais seriam as filiações religiosas ou políticas de Andreas Lubitz.

Citado pela Associated Press, o ministro da Administração Interna alemão, Thomas de Maiziere, garante que “não há quaisquer indicações de qualquer passado ligado a organizações terroristas”. As autoridades alemãs verificaram bases de dados policiais logo no dia do colapso do avião.

A declaração do ministro foi feita depois de o procurador francês encarregado da investigação à queda do Airbus 320 ter afirmado que o copiloto, Andreas Lubitz, estava sozinho aos comandos do avião e acionou deliberadamente a descida do aparelho, que acabou por embater numa montanha.

Segundo Maizière, depois do acidente, as forças de segurança da Alemanha investigaram o passado de todos os 150 ocupantes do avião em duas bases de dados, uma dos serviços secretos e outra da polícia federal. Essa investigação não deu qualquer resultado positivo para indícios de terrorismo.

“Vai ser tudo investigado”, disse o ministro, admitindo que, neste momento, os investigadores “estão concentrados no passado da pessoa que assumia o posto de copiloto” do voo 9225 entre Barcelona (Espanha) e Düsseldorf (Alemanha).

“Sonho de voar”

“Andreas tornou-se membro do clube [LSC] ainda jovem, para cumprir o sonho de voar”, pode ler-se numa nota que lamenta a morte de Andreas Lubitz, colocada num clube de pilotos de avião, o LSC. “Cumpriu o seu sonho, e agora pagou tão caro… com a sua vida”, acrescenta a nota.

Soube-se, na quarta-feira, também, que Andreas Lubitz tinha apenas 630 horas de voo e que se juntou às fileiras da GermanWings em setembro de 2013, vindo da formação pela Base Aérea da Lufthansa em Bremen. No entanto, em 2009, o co-piloto terá sofrido uma crise nervosa que o obrigou a interromper a sua formação por seis meses. A informação é dada pelo jornal alemão Der Speigel e aponta para um esgotamento ou mesmo depressão, algo que foi confirmado pelos amigos de Lubitz.  Carsten Spohr, o CEO da Lufthansa, admitiu que este é um procedimento “que não é usual”, mas não adianta mais explicações.

Segundo a Associated Press, os seus conhecidos em Montabaur garantiram que Andreas Lubitz não mostrava qualquer sinal de depressão. “Transmitia um sentimento positivo”, afirmou um membro de um clube a que pertencia Andreas Lubitz, Peter Ruecker. “Estava feliz por ter o emprego na GermanWings e estava a dar-se bem”, acrescentou Peter Ruecker.

Andreas Lubitz terá tirado licença para conduzir ultra-leves ainda em jovem, foi formado na Base Aérea de Bremen e era um piloto certificado pela agência norte-americana Federal Aviation Administration (FAA).

O procurador francês encarregado da investigação ao acidente, Brice Robin, já tinha afirmado que o copiloto, Andreas Lubitz, nascido a 18 de dezembro de 1987, não estava referenciado por terrorismo. O procurador apresentou esta quinta-feira as conclusões da análise à gravação dos sons do cockpit recuperada de uma das caixas negras do aparelho.

Em conferência de imprensa, em Marignane, sul de França, Robin afirmou que Lubitz recusou abrir a porta do cockpit ao piloto e acionou a descida do avião por uma “razão que ainda não é conhecida” dos investigadores, mas que “parece ser o desejo de destruir o avião”. Em busca de mais informações, os investigadores da polícia já se encontram em buscas à casa dos pais de Andreas Lubitz, em Montabaur (Alemanha).

MONTABAUR, GERMANY - MARCH 26:  Police stand in front of the residence of the parents of Andreas Lubitz, co-pilot on Germanwings flight 4U9525, on March 26, 2015 in Montabaur, Germany. French authorities confirmed that Lubitz was alone in the cockpit during the rapid descent of flight 4U9525 until it crashed into mountains in southern France two days ago, killing all 150 people on board. Authorities are pursuing the possibility that Lubitz might have acted deliberately in steering the aircraft to its destruction.  (Photo by Thomas Lohnes/Getty Images)

Casa dos pais de Andreas Lubitz. © Thomas Lohnes / Getty Images

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