A diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, anunciou, este domingo, que a Grécia se comprometeu a pagar a dívida ao FMI, no valor de 450 milhões de euros, até ao próximo dia 09 de abril. O ministro das Finanças grego, que esteve reunido durante duas horas com a responsável internacional terá garantido que tem dinheiro no tesouro para fazer face a este pagamento e ainda cumprir com os pagamentos de salários e pensões aos gregos.

À saída do encontro, Varoufakis garantiu que a conversa com Lagarde tinha sido “profícua e produtiva”. Nas duas horas de conversa, o ministro da Finanças grego garante que falou com a diretora-geral do FMI sobre “o programa de reformas” da Grécia.

“Estamos empenhados em reformar profundamente a Grécia, é a proposta que fizemos ao povo grego, pelo que ter a oportunidade de discutir o programa de reformas aqui, no FMI, com a diretora-geral, é um excelente passo nessa direção”.

Além disso, garantiu, falaram ainda de formas de melhorar as negociações: “Isso é fundamental para nós, é muito importante, sobretudo pelo facto de o FMI ser um parceiro para a saída da crise dos últimos cinco anos na Grécia”, acrescentou.

Depois de Varoufakis, foi a vez de Lagarde falar do resultado da reunião, mas em comunicado.

“O ministro Varoufakis e eu trocámos impressões sobre os atuais desenvolvimentos e ambos concordamos que a cooperação efetiva é do interesse de todos. Constatamos que a incerteza contínua não é do interesse da Grécia, pelo que me congratulo com a confirmação feita pelo ministro de que o pagamento devido ao Fundo será efetuado no próximo dia 09 de abril”, afirmou Christine Lagarde, num comunicado publicado no portal do FMI.

O vice-ministro das Finanças grego, Dimitris Mardas, já tinha reafirmado, no sábado, que a Grécia dispõe de dinheiro suficiente para pagar esse empréstimo, bem como salários, pensões e outros compromissos devidos ao longo da próxima semana.

“Manifestei o meu apreço relativamente ao compromisso do ministro de melhorar a capacidade das equipas técnicas em trabalhar com as autoridades para a realização das devidas diligências em Atenas, e de melhorar as discussões políticas com as equipas em Bruxelas”, disse a diretora-geral do FMI, indicando que ambas retomam hoje a sua atividade.

“Reiterei que o Fundo mantém-se comprometido em trabalhar com as autoridades para ajudar a Grécia a regressar ao caminho sustentável de crescimento e emprego”, concluiu Christine Lagarde.

Acordo até 24 de abril

Entretanto, o ministro das Finanças grego, Yanis Varoufakis, em entrevista ao jornal grego Naftemporiki, disse esperar chegar a um acordo com os restantes países europeus até ao dia 24 de abril, quando os ministros das finanças da zona euro se voltam a encontrar. Nessa entrevista, Varoufakis fala em cinco pontos necessários para um acordo que significa uma dívida pública grega sustentável.

Na entrevista, Varoufakis insiste na ideia de fazer depender o pagamento da dívida grega do crescimento económico e de metas de défice primário até 1,5%. Aos parceiros vai levar ainda mais duas ideias: uma proposta de investimento no setor privado com fundos do Banco Europeu de Investimento (BEI); um plano de reformas para ajudar os produtores (e exportadores) gregos.

Entretanto, a Grécia poderá já estar a trabalhar num cenário alternativo caso não consiga acordo com os parceiros europeus: ajuda da China. Na última semana, o vice-primeiro-ministro grego Iannis Dragasakis foi até Pequim onde terá dito que a privatização do Porto de Pireu vai avançar. Essa possibilidade de investimento é música para os ouvidos dos chineses que podem assim, acredita a BBC, apoiar os gregos em caso de dificuldade.

Além disso, avança a BBC, Dragasakis terá saído da China com um convite para uma visita de Estado para Alexis Tsipras ainda este ano.