Cada militante socialista é livre de dizer o que pensa sobre candidatos presidenciais e, inclusive, cada um é livre de avançar como candidato a Belém, mas uma tão grande “dispersão de opiniões prejudica o PS, numa altura em que a prioridade são as legislativas”, defendeu esta manhã Eduardo Ferro Rodrigues. E, por isso, o PS mantém-se firme: só apoiará um candidato presidencial depois de outubro.

A posição foi manifestada pelo líder parlamentar socialista à saída de uma reunião da bancada, quando questionado pelos jornalistas sobre se havia alguma divergência interna na sequência das sucessivas notícias sobre eventuais candidaturas presidenciais no espetro político à esquerda. António Sampaio da Nóvoa, que tem apontado o anúncio oficial para o final do mês, tem sido a principal causa de discórdia entre os socialistas, com alguns nomes pesados do partido a manifestarem agrado e outros a tecerem-lhe duras críticas.

Isso prejudica o partido? “Sim”, respondeu Ferro Rodrigues, afirmando que o foco central devem ser as eleições legislativas do outono, e que, por isso, o tema das presidenciais neste momento só serve para “dispersar” as atenções das legislativas. “Tudo o que seja dispersar as atenções para outros aspetos por muito importantes que sejam é um erro crasso”, disse, garantindo que institucionalmente “o PS só se irá apoiar uma candidatura depois das eleições legislativas”.

“O direito à palavra é sagrado no PS. Agora, na minha opinião, o PS, enquanto tal, só deve apoiar uma candidatura presidencial depois das eleições legislativas”, disse.

Além de Sampaio da Nóvoa, o mais recente pré-anúncio de candidatura veio de Paulo Morais, professor universitário e vice-presidente da Associação Transparência e Integridade, que disse esta quinta-feira que faria a apresentação formal no próximo dia 18 de abril. Até agora, só Henrique Neto formalizou a decisão, mas o PS demarcou-se imediatamente de qualquer apoio ao candidato.

Os mais próximos de Costa defendem a maior cautela na gestão do dossiê presidencial. Pedro Bacelar Vasconcelos, membro do secretariado, considera, em declarações ao Observador, que “não é natural” que se esteja agora a discutir mais as presidenciais do que as legislativas, que “serão umas eleições aguerridas”. “O PS recusa subordinar-se a um calendário imposto. (…) Até porque o resultado das legislativas vai determinar a importância das presidenciais”, acrescentou.

Bacelar Vasconcelos admite que o quadro completo de candidatos presidenciais fique completo antes das legislativas e que, nesse caso, o PS poderia tomar posição antes das eleições do outono. Até lá, há “uma azáfama extemporânea”.

O deputado Pedro Delgado Alves, por seu turno, desdramatiza o debate em torno dos candidatos presidenciais. “A prioridade são as legislativas” e o debate sobre presidenciáveis “não divide nada o PS” até porque ainda “há uma série de pessoas que ainda não disseram nada”, afirmou ao Observador, referindo-se a figuras como António Guterres ou Jaime Gama.

Na mesma linha, o deputado Renato Sampaio frisa ao Observador que haverá um tempo para o PS decidir. Para já, a prioridade são as legislativas. A não ser que Gama “anuncie amanhã que é candidato”, acrescenta, com um sorriso.

“É preciso calma e lexotans”, aconselha o segurista Álvaro Beleza. Este dirigente defende eleições primárias no PS para a escolha do candidato presidencial, considerando “perigoso” que haja vários candidatos de esquerda. Esta posição, no entanto, tem poucos apoiantes.