Conquistaram Havana juntos, roubando-a das mãos de Fulgencio Batista, em 1959. A história costuma ser romântica, violenta e arrebatadora, mas agora vem à luz do dia uma teoria que sugere que Fidel Castro traiu Che Guevara, deixando-o ao sabor da sorte, acabando por morrer sozinho e sem apoio na Bolívia, conta o ABC. A tese está estampada no livro “Che Guevara. Valho mais morto que vivo”, de Alberto Müller, um jornalista e escritor cubano. O título do livro diz respeito à suposta frase que Che proferiu quando foi capturado em La Higuera, uma aldeia boliviana.

A investigação de Müller revela que Ernesto Che Guevara terá escrito a frase “sem contacto com Manila” várias vezes nos seus famosos diários, que significaria o afastamento de Cuba. Para o escritor isso sugere e anuncia o “abandono”. O livro revela também que haveria uma unidade de guerrilheiros que estariam prontos para seguir para a Bolívia para resgatar Che. “Fidel nunca autorizou o resgate”, diz ao ABC Müller, à margem da Feira Internacional do Livro em Buenos Aires.

Para o autor do livro, Che Guevara transformou-se numa “pedra no sapato” para o governo cubano, principalmente pelas afrontas e críticas ao Kremlin, a quem acusava de ser “cúmplice da exploração imperial” dos Estados Unidos. “[Che Guevara] morreu de uma forma lamentável. Sem medicamentos para a asma, sem botas, sem água, sem comida e sem aliados”, diz Müller.

O escritor garante ainda que Che Guevara queria voltar a casa, para libertar a sua Argentina. Mais: Müller diz que o recuo dos cubanos no Congo, assim como o envio de Che Guevara para a Bolívia, naquilo que assegura ser um “suicídio”, atestam a teoria de afastamento e traição.

O autor do livro não se escusa a entrar em polémicas, pois afiança que, se estivesse vivo, Che “estaria mais perto da Madre Teresa de Calculá do que de Fidel” e que o argentino não gostaria nada do rumo tomado por Cuba. Para este escritor, a História ficará encarregue de separar as águas: “a revolução de Che e a de Fidel”. Para ele, Guevara era “mais puro”, era alguém que “deu a sua vida por um ideal” e que morreu “com uma moral intocável”.