Assim ao jeito de “novilíngua” ou “um monumento a George Orwell”, o autor do livro 1984. É assim que o secretário nacional do PS, João Galamba classifica uma alteração de um verbo no Programa de Estabilidade que foi discutido na Assembleia da República em relação ao documento que o Governo efetivamente enviou para Bruxelas.

Segundo o deputado e dirigente socialista, o documento submetido à avaliação de Bruxelas tem uma alteração pequena no tamanho e grande no conteúdo. O primeiro documento, discutido no Parlamento, diz que a estratégia orçamental vai permitir o “desagravamento gradual dos sacrifícios exigidos aos portugueses”. O documento final muda o verbo e troca “exigidos” por “solicitados”, de acordo com o deputado.

A pequena troca leva o deputado a ironizar com o assunto. Diz que para o Governo “não houve cortes em nada” e que afinal funcionários públicos, pensionistas, utentes dos serviços públicos foram “simpaticamente convidados pela maioria a reduzir o seu nível de vida”. Afinal, diz Galamba, esta alteração é um “monumento a George Orwell: os sacrifícios que tinham sido exigidos aos portugueses passaram a ser sacrifícios solicitados aos portugueses”, escreve no Facebook.

Estas declarações acontecem numa altura em que PS e PSD têm trocado na praça pública acusações sobre o Programa de Estabilidade e o documento dos economistas do PS, “Uma década para Portugal”. O PSD enviou uma carta com 29 dúvidas ao PS sobre o documento e pediu a sua avaliação pela Unidade Técnica de Apoio Orçamental e pelo Conselho de Finanças Públicas, o PS disse que não se importava em “debater” o documento com estas entidades, mas que estas não têm competências legais para o “avaliar” e prometeu resposta às dúvidas dos sociais-democratas que chegaram esta quinta-feira.