“A nossa fidelidade não é para com uma tribo política, mas para com os valores liberais que orientam esta revista há 172 anos”, escreve esta semana a revista The Economist, anunciando o seu apoio a David Cameron nas eleições britânicas que se vão realizar já a 7 de maio. Já o Guardian diz que está na altura de mudar de direção e defende que Ed Miliband, candidato do Partido Trabalhista, deve ser o próximo primeiro-ministro.

Apesar de temerem as consequências do euroceticismo dos conservadores, a Economist considera que o Governo de David Cameron conseguiu levar a cabo cortes pragmáticos no défice, manter a qualidade dos serviços públicos e recuperação económica. Sobre as propostas dos trabalhistas, a revista defende que Ed Miliband se vai intrometer no funcionamento dos mercados. Já o Guardian considera que o atual Governo britânico não será uma escolha viável por ter persistido na decisão de impor uma “rigidez fiscal desastrosa” e que o Partido Trabalhista é a opção certa. “[Miliband] Tem resiliência e acima de tudo, um grande sentido do que é justo. Miliband percebeu desde o início a questão central do nosso tempo: a desigualdade”, aponta o editorial do jornal britânico.

A própria Economist escreve no seu editorial que os candidatos naturais para apoiar nesta eleição seriam os liberais. No entanto, com apenas 8% e a elegerem cerca de 24 deputados, a revista admite que este partido não pode ambicionar mais do que ser um parceiro de coligação e assim a escolha foi entre David Cameron, primeiro-ministro e líder conservador, e Ed Miliband, candidato trabalhista. No passado, a Economist já apoiou o segundo mandato de Tony Blair e apoiou também David Cameron em 2010. Este ano, a escolha recaiu novamente no conservador.

“A nossa decisão foi baseada na economia, onde a coligação entre conservadores e liberais [atualmente no poder] tem um historial mais forte do que muitos se apercebem e onde o Partido Trabalhista apresenta maiores riscos”, justifica assim a revista, reconhecendo que os sinais macroeconómicos são confusos e que a vida dos britânicos piorou nos últimos anos, mas que há indicadores positivos na governação à direita como os cortes “pragmáticos” nos gastos, a manutenção da qualidade da segurança e outro serviços públicos e ainda a recuperação económica alicerçada na indústria.

Já o Guardian diz que a prioridade no dia 7 de maio, dia das eleições, é “travar o Partido Conservador de regressar ao Governo e em segundo lugar, encontrar uma alternativa viável”. “Este jornal nunca foi um entusiasta em relação ao Partido Trabalhista. E também não somos agora. Mas a nossa visão é clara. Os trabalhistas são a melhor esperança e alternativa para enfrentar os tempos turbulentos que se avizinham”, escreve o jornal.

Quanto à posição dos partidos sobre a Europa, a Economist lamenta a posição que os conservadores têm vindo a tomar face a Bruxelas, nomeadamente em relação à proposta de um referendo sobre a manutenção do Reino Unido na União Europeia, mas considera que a questão já é tão comum que é difícil não haver um referendo de qualquer forma. A revista diz que os benefícios de o Reino Unido continuar na Europa excedem as desvantagens e que esses argumentos serão suficientes para o país se manter nas instituições europeias.