A 1 de maio de 1945, durante a II Guerra Mundial, 2 mil alemães cometeram o maior suicídio em massa da História da humanidade, noticia o ABC. Tudo aconteceu em Demmin, numa altura em que Adolf Hitler já tinha morrido, o país estava enfraquecido, o nazismo condenado à morte e os alemães aterrorizados com as consequências da derrota.

As descrições foram feitas por Manfred Schuster. Tinha dez anos na altura e viajara com um amigo até à cidade para encontrar objetos abandonados para vender. Encontraram um grande saco de sacos de açúcar, mas quando o agarraram começaram a ouvir gritos  junto ao rio.

Correram até ao local e viram algumas crianças a nadar até à margem. “Olhavam desamparados e gritavam para a água onde as mães e irmãos estavam afogados”, disse Schuster ao International Business Times. E acrescenta que “em absoluto terror, largámos os nossos sacos de açúcar, que explodiram numa nuvem de pó branco, e corremos para casa o mais depressa possível”.

Os alemães estavam assustados com a iminência da chegada de um Exército Vermelho sedento de vingança pelas atitudes bárbaras dos nazis durante a Operação Barbarossa, onde morreram 18 milhões soviéticos. O medo tinha aumentado com os rumores aterrorizantes criados pelo governo alemão com o objetivo de manter a população de armas em punho.

A fim de evitar as alegadas torturas soviéticas que se avizinhavam, muitas pessoas – acima de tudo mulheres e crianças – decidiram acabar com a própria vida atirando-se ao rio com pedras atadas ao corpo, por enforcamento, envenenamento ou cortando as veias.

Na verdade, os receios alemães vieram a revelar-se verdadeiros: quando os soldados soviéticos entraram na Alemanha, mais de um milhão de mulheres e crianças foram violadas em várias regiões do país. Este relato foi feito pelo alemão Florian Huber, autor do livro “Filho, promete-me que darás um tiro”.

Quanto aos pormenores deste suicídio em massa, foram mantidos em segredo durante muito tempo.

O próprio Schuster, o homem então criança que agora conta o que viu, sentiu na pele a ameaça soviética. Ele conta que estava com a mãe na rua quando começaram a ser perseguidos por dois militares russos bêbedos. Ciente do perigo que enfrentavam, a mulher atirou o filho para um monte de terra e conseguiu fugir antes de ser violada.

Este não foi o único suicídio em massa ocorrido na Alemanha na sequência da II Guerra Mundial: pensa-se que, nos últimos dois meses da guerra, 4 mil pessoas se mataram com medo das consequências da derrota alemã.