Em troca dos cortes de 400 milhões de euros nas pensões mais pobres dos pensionistas gregos, o presidente da Comissão Europeia queria propôr à Grécia um corte com o mesmo valor nos gastos com a Defesa, adianta a Bloomberg.

A notícia vai ser publicada este domingo, no jornal alemão Frankfurter Allgemeine Sonntagszeitung. O corte nas pensões mais pequenas é uma das medidas de austeridade que o governo grego de coligação, liderado por Alexis Tsipras, mais tem criticado.

De acordo com o jornal, que cita fontes não identificadas ligadas às negociações, o Fundo Monetário Internacional não aceitou a proposta do presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, e que tinha sido apoiada pela chanceler alemã Angela Merkel.

A troca teria sido bem aceite pelo partido de esquerda Syriza, mas poderia ter criado problemas na coligação grega, uma vez que o ministro  ministro da Defesa da Grécia é Panos Kammenos, do partido nacionalista Gregos Independentes.

Proposta do FMI para reformar pensões na Grécia “é ridícula”

O ministro das Finanças grego, Yanis Varoufakis, afirmou este sábado, numa entrevista à cadeia britânica BBC Radio 4, que o pedido do FMI para reformar o sistema de pensões grego é “ridículo”.

“É o tipo de proposta que se põe na mesa quando não se quer chegar a um acordo”, afirmou Varoufakis, dois dias depois do FMI ter considerado “insustentável” o sistema de pensões da Grécia. Para o ministro grego, esta é uma posição negociadora de “rutura” que “simplesmente se deveria deixar de lado”.

Varoufakis também disse este sábado, ao jornal Real News, que um “Grexit” (saída da Grécia do euro), poderia custar, no mínimo, um bilião de euros (nas suas palavras, “one trillion euros”). Acrescentou, porém, que é impossível estimar o custo total, assim como não é possível apurar quanto teria custado o colapso do Lehman Brothers.