As negociações sobre o embargo nuclear ao Irão “não têm um limite temporal”, disse um alto funcionário iraniano, respondendo assim ao comentário do secretário de Estado norte-americano, que tinha dito que não podia negociar para sempre.

“Não temos um limite temporal para chegar a um bom acordo”, disse um alto funcionário iraniano à agência de notícias France Presse, quando questionado, esta manhã, sobre o prolongamento das negociações, que hoje entram no décimo quinto dia consecutivo.

O Irão e o chamado grupo dos 5+1 (Reino Unido, China, França, Alemanha e Rússia) estão a tentar limitar a capacidade do Irão construir armas nucleares em troca de um abrandamento das sanções.

Depois de uma troca de acusações sobre as razões que estão na base deste impasse, o secretário de Estado norte-americano deu sinais de encorajamento, afirmando que vários dos pontos mais difíceis tinham sido ultrapassados.

No entanto, alguns dos principais diplomatas norte-americanos saíram da reunião desta manhã com o iraniano Mohammad Javad Zarif, que durou 90 minutos, escrevendo na rede social Twitter que “ainda há assuntos difíceis para resolver”.

Apesar de as negociações durarem há quase dois anos, a ronda de conversações em Viena, este fim-de-semana, era encarada como um momento histórico para concluir um acordo que pudesse pôr fim aos 13 anos de sanções que o Irão tem enfrentado, mas tem-se arrastado a passo de caracol, comprovando a dificuldade dos tópicos que ainda estão a ser discutidos.

O ministro dos Negócios Estrangeiros francês, Laurent Fabius, chegou hoje à capital austríaca para se juntar novamente ao seu homólogo alemão, Frank-Walter Steinmeier, estando também prevista a presença do chefe da diplomacia britânica.

Entre as questões mais difíceis, e que foram deixada para o final das negociações, está o mecanismo para levantar as sanções interligadas das Nações Unidas, Estados Unidos da América e União Europeia, bem como as maneiras de garantir que o Irão pode ter um programa nuclear pacífico para garantir as suas necessidades energéticas.

Nos últimos dias, a equipa de negociadores teve mais uma dor de cabeça, quando a delegação iraniana insistiu que o embargo da ONU às armas teria também de ser levantado logo depois do levantamento do embargo, o que causou preocupações devido ao alegado envolvimento do Irão nalguns conflitos no Médio Oriente.

Os iranianos, por seu lado, culpam os outros negociadores ocidentais por alegadamente terem mudado de opinião depois de uma videoconferência com o Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama.