O PSD afirmou hoje que “não há nenhum recuo” na subconcessão da Metro do Porto e da STCP, acusando o PS de se estar a precipitar e de estar a pensar nas eleições legislativas e não no interesse nacional.

O vice-presidente da bancada parlamentar do PS, João Paulo Correia, afirmou hoje que a retirada do pedido de fiscalização prévia do Tribunal de Contas (TdC) do contrato entre a Metro do Porto e o consórcio espanhol “é uma manobra tática do Governo para fugir a um eventual chumbo”.

Em declarações à agência Lusa, o deputado do PSD Paulo Rios mostrou-se “preocupado com a postura do PS”, remetendo para a posição do Governo as respostas sobre esta questão dos contratos mas afirmando que “não há nenhum recuo, não há nenhum chumbo, não há nenhum pré-chumbo”.

“O que há é uma precipitação muito clara do PS. O que é lamentável é que o que está em causa nesta discussão para o PS não é o Porto, não é a Área Metropolitana, não é o interesse nacional, é apenas o dia 04 de outubro e as eleições”, acusou.

Segundo o deputado do PSD eleito pelo círculo do Porto, “o PS no que toca a avanços e recuos não é um grande exemplo para o país e em relação a este processo, mais uma vez, conforme é costume, se precipita”.

“O PS que tanto reclamava prudência, quando o Governo usa dessa prudência o PS reclama porque também a prudência não é bem-vinda. Não há, em relação a este processo, nenhuma conclusão que permita o PS festejar”, enfatizou.

Paulo Rios foi perentório: “se se confirmar que o PS mais uma vez se precipitou, não é para nós uma grande surpresa mas mostra bem que tipo de PS com que podemos esperar a partir de outubro”.

“Este processo é altamente relevante, que deve merecer toda a nossa atenção, mas da mesma forma que não nos devemos precipitar a dizer que ele está concluído, também não podemos precipitarmos a dizer que ele não teve um bom desfecho. Acho que devemos estar todos muito atentos e principalmente de forma responsável”, disse.

O contrato em causa, assinado no dia 23 abril, está sujeito a visto prévio do TdC e desde que a Metro o enviou ao TdC este foi devolvido duas vezes à empresa para esclarecimento de dúvidas e/ou esclarecimentos adicionais.

O ministro da Economia, Pires de Lima, assegurou na quinta-feira que o Governo está atento à concretização do caderno de encargos da concessão da Metro do Porto e STCP e que atuará “em conformidade com aquilo que as circunstâncias ditarem”.

À margem da inauguração do novo Terminal de Cruzeiros do Porto de Leixões, em Matosinhos, Pires de Lima foi confrontado pelos jornalistas com o comunicado das organizações representativas dos trabalhadores da STCP, que alertam que a restruturação interna iniciada recentemente na empresa “parece indiciar que o consórcio espanhol TMB/MOVENTIS a quem foi adjudicada a concessão do serviço, tenha desistido da concessão”.

Questionado sobre se tinha alguma informação sobre uma eventual desistência do consórcio, o ministro da Economia foi perentório: “não tenho nenhuma informação que neste momento possa partilhar com a comunicação social”.

A agência Lusa questionou na quinta-feira o consórcio catalão, mas até hoje não obteve qualquer resposta.