Luís Marques Mendes não tem dúvidas: se Rui Rio decidir entrar na corrida para Belém em setembro, “um mês dramático” por causa das eleições legislativas, vai ser a “ideia mais tonta deste mundo” e só “vai prejudicar eleitoralmente a coligação” e “ajudar António Costa”.

No seu espaço de comentário habitual de comentário na SIC, o antigo líder do PSD comentava assim a recente entrevista de Rui Rio. Para Marques Mendes, não restam dúvidas de que o ex-presidente da Câmara do Porto já tomou a decisão de concorrer às eleições presidenciais de 2016. “Sinal claro” disso mesmo, foi que, “durante uma hora de entrevista, ele não teve uma palavra em relação à liderança do partido”, sublinhou o comentador.

Mas antes das presidenciais, as legislativas. Numa altura em que o PS já fechou o programa eleitoral e as listas de candidatos a deputados, a coligação Portugal à Frente tem ainda tudo em aberto. Na próxima terça-feira, Passos e Portas apresentam, na Gare Marítima de Alcântara, o programa da coligação. Dois dias depois, as listas de deputados vão ser aprovadas em Conselho Nacional dos dois partidos.

Ora, e aqui Marques Mendes deixou, sobretudo, duas novidades: PSD e CDS “podem antecipar a apresentação dos cabeças de lista” para segunda-feira e sete desses cabeças de lista serão mulheres, avançou o comentador. “Um recorde”. Mais: três dos cabeças de lista (dois homens e uma mulher) serão independentes.

As próximas eleições legislativas vão acontecer a 4 de outubro – uma decisão anunciada esta semana por Cavaco Silva, que contrariou a vontade da maioria dos partidos que preferiam o 27 de setembro. A este propósito, Marques Mendes recordou que PSD, CDS e PS sempre preferiam outubro a setembro, mas mudaram recentemente de ideias. Porquê? O comentador explica: na semana de 27 de setembro a 4 de outubro vão ser divulgados vários dados estatísticos como “a evolução da dívida pública e taxa de desemprego”, o que significa que quer a coligação, quer o PS, “têm medo” do que os esses números podem trazer – se forem bons, ajudam politicamente Passos e Portas; se forem maus, vão servir os interesses de António Costa. Mas ninguém queria arriscar. Cavaco Silva não lhes fez a vontade.

E por falar em António Costa, Marques Mendes acredita que o líder do PS “está obrigado a ganhar as eleições”. Primeiro, porque “depois de 4 anos de austeridade a vida está mais facilitada para oposição” e, depois, porque António Costa tirou do caminho Seguro para chegar à principal cadeira do Largo do Rato. Por isso, se perder as eleições “a carreira política dele acaba [ali]”. Já Passos, “não perde nada, porque depois de uma crise que foi a maior destes 40 ninguém lhe vai cobrar uma derrota”, disse ainda Marques Mendes.