Ainda corre tinta sobre as listas de candidatos a deputados de PSD e CDS, aprovadas na noite de quinta-feira. As críticas mais em surdina, e as outras mais públicas como as de Fernando Costa (o autarca que se diz demasiado “incómodo”), também de Eduardo Martins (o ex-dirigente que diz que as listas são “o espelho da direção”), ou de Hermínio Loureiro (“cristãos-novos”, disse no Expresso), puseram a São Caetano a fazer contas e a espalhar a mensagem: Marco António Costa conta seis presidentes de distritais que ficaram de fora. Do lado contrário, do PS, soma três apenas que não estão na lista.

Na direção do PSD há quem fale de uma mensagem que o partido “não soube” passar: de alguns independentes que, para lá dos cabeças de lista, aceitaram entrar nos candidatos. Há uma nas listas de Viseu, no terceiro lugar (Inês Domingos, que é colunista do Observador), mais uma em Évora (Ana Maria Freitas, reitora da Universidade), outro em Lisboa (João Dias, vice da CNIS), mais um no Porto (António Tavares, da Santa Casa do Porto) e uma na Guarda (Carla Nobre). Entre todos os nomes, só o primeiro e o último vão em lugar elegível – para lá dos cabeças de lista. Suficiente?

A luta com os socialistas já tinha sido visível na discussão sobre os cabeças de lista – que o Observador analisou esta semana, dando vantagem aos do Largo do Rato no que se refere ao fator renovação. Há mesmo assim um fator em que os sociais-democratas levam curta vantagem – a unanimidade com que as listas foram aprovadas nos órgãos nacionais.

A carta de Ribeiro e Castro

Do lado centrista, a guerra foi mais dura: no conselho nacional desta semana, relata o Expresso, Portas foi contestado por vários conselheiros nacionais por ter centralizado as escolhas de todos os que têm possibilidade de serem eleitos. Teve seis votos contra no final.

Ainda antes da reunião, Ribeiro e Castro, seu antecessor na liderança e até aqui deputado, enviou uma carta ao Conselho Nacional explicando porque não iria ao encontro. Queixando-se de saber da data da reunião por Marques Mendes, na televisão, e de só ter informação sobre os lugares do CDS nas listas da coligação através da página do PSD, Castro acaba por ser duro com o que diz ser uma forma quase totalitária de tomar decisões no partido e sobre o resultado final das negociações com o PSD:

É facto que, aplicando as regras de Hondt, o CDS não tem “direito” a eles, porque em nenhum círculo foi mais votado que o PSD. Mas a coligação ganharia em credibilidade e consistência – e, portanto, força de atração – se, pontualmente, os houvesse.

Ribeiro e Castro diz que esta solução não foi considerada porque a coligação foi frágil e tremeliques na alta direcção em vários momentos cruciais da legislatura”, porque também escasseou a “confiança mútua”, caso visível, diz, noutros momentos da legislatura: “Não me lembro de ter visto o ministro de Estado/vice-primeiro-ministro (líder do CDS) uma só vez ao lado do primeiro-ministro (líder do PSD), nas dezenas de debates quinzenais, alguns muito duros e difíceis, que houve ao longo da Legislatura – o que esteve mal e foi errado.”

Castro acabou por não ir, mas já se tinha afastado das listas. O seu lugar – numa espécie de cadeira reservada em São Bento para um crítico interno – acabou por ficar para Filipe Anacoreta Correia.