Futuro da Grécia

FMI só participará no resgate a partir de outubro

Instituição já disse aos credores europeus que está disponível para participar, desde que se assuma um compromisso de fazer algo quanto ao "stock" de dívida pública grega.

Chip Somodevilla

O Fundo Monetário Internacional (FMI) estará disponível para participar no terceiro resgate à Grécia, mas só a partir de outubro, quando (e se) existirem medidas no sentido de aliviar a dívida pública da Grécia. Há algumas semanas, perante a intransigência por parte do Eurogrupo de aceitar um corte nominal da dívida grega já (no âmbito do terceiro resgate), foi noticiado o conteúdo de um relatório confidencial em que o FMI dizia que estava impedido de participar, o que lançou dúvidas sobre o terceiro resgate já que a participação do FMI era vista como crucial, nomeadamente pela Alemanha.

A notícia foi avançada pelo Wall Street Journal, que cita fontes conhecedoras do processo. A informação da disponibilidade(condicionada) do FMI para participar no programa já foi transmitida aos credores europeus, segundo as fontes. Fala-se em outubro porque é essa a altura em que será feita a primeira avaliação trimestral ao programa grego.

Chegou-se esta terça-feira a um “acordo técnico” que conclui as negociações das últimas semanas. O Parlamento grego deverá votar o pacote de medidas na quinta-feira e poderá haver uma conversa dos ministros das Finanças da zona euro na sexta-feira. O que falta, ainda, é um “acordo político” que viabilize o terceiro resgate.

Não é, contudo, previsível que esse “acordo político” contenha alguma referência a um corte da dívida grega no imediato. Ainda assim, vários líderes europeus, incluindo o governo alemão, têm-se disponibilizado para rever prazos e juros da dívida grega – fazendo, no fundo, um novo alívio das condições na dívida grega e aliviando o seu peso real sem cortar o valor nominal. Essa disponibilidade para novas iniciativas de alívio da dívida apenas virá, contudo, no mínimo no outono, quando o governo grego der mostras de estar a aplicar as medidas de reforma agora acordadas. Foi essa a data que Jean-Claude Juncker indicou, numa entrevista polémica que culpava os países do Sul da Europa por essa negociação não vir mais cedo.

Será, então, aí que o FMI poderá juntar-se (financeiramente) ao programa, segundo a notícia do Wall Street Journal.

Recorde-se que no final de julho houve uma reunião de duas horas do conselho de administração do FMI, escreveu o Financial Times, e foi apresentado nessa reunião o relatório “estritamente confidencial” dos técnicos. O relatório admitia que o conselho de administração se disponibilizava para participar nas negociações em curso, mas apenas na discussão política – para o FMI se certificar que o novo resgate era desenhado de uma forma consistente com “aquilo que o Fundo tem em mente” – mas estava fora de questão uma participação financeira.

Só depois de a Grécia “aceitar um conjunto abrangente de reformas” e de os credores europeus “aceitarem um alívio da dívida” é que o FMI poderia participar, dizia o relatório.

A 23 de julho, o Observador debruçou-se sobre esta questão, escrevendo que, depois da capitulação de Alexis Tsipras, “mais alguém teria de ceder: FMI ou Berlim”.

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