A proposta do grupo financeiro chinês Anbang terá sido escolhida pelo Banco de Portugal para iniciar um processo de negociações exclusivas para a compra do Novo Banco. A notícia é avançada pelo Jornal de Negócios que, no entanto, acrescenta que, em função do resultado desta primeira negociação, o Banco de Portugal admite vir a negociar ainda com a Apollo, o fundo de investimento americano.

Segundo o jornal, o terceiro grupo concorrente, a Fosun, já estaria fora da corrida, indicação que não foi no entanto confirmada por fonte próxima da negociação contactada pelo Observador, segundo a qual os três candidatos que apresentaram propostas vinculativas à compra do Novo Banco estariam ainda em jogo.

A escolha da Anbang para negociações exclusivas corresponderá já à apreciação feita pelo Banco de Portugal (BdP) e os seus assessores das últimas ofertas entregues na sexta-feira passada que terá hierarquizado as três propostas. O BdP esclareceu que tinha recebido apenas uma proposta melhorada que, segundo o Jornal de Negócios, foi apresentada pela Apollo, o fundo de investimento americano que controla a Tranquilidade.

A Anbang já era vista como a mais forte concorrente após a apresentação das primeiras propostas, na medida em que teria avançado com o valor mais alto. A TVI também adianta que este grupo chinês continua a ter a oferta mais forte, mesmo depois de um dos candidatos ter melhorado a sua proposta. Em causa estará uma oferta da ordem dos quatro mil milhões de euros, que incluirá uma fatia para a recapitalização do Novo Banco.

Contactado pelo Observador, o Banco de Portugal não comenta esta informação.

Quem é o candidato mais bem posicionado?

Com sede em Pequim, a Anbang foi lançada em 2004 por várias empresas públicas chinesas, incluindo a Shangai Automotive Industries e a petrolífera Sinopec (que controla 30% da operação brasileira da Galp). Desde então, a holding tem feito vários aumentos de capital, assegurados por dezenas de empresas privadas, diluindo as participações dos investidores públicos. Há notícias de que estará a preparar uma oferta do seu capital em bolsa (IPO).

Um dos grandes negócios que colocou a Anbang no mapa das noticias foi a compra, no final do ano passado, do mítico hotel de Nova Iorque, o Waldorf Astoria, por 1,95 mil milhões de dólares (1,750 mil milhões de euros), uma aquisição descrita como ambiciosa pelos analistas internacionais. Na lista de compras recentes da Anbang estão ainda duas seguradoras europeias, uma holandesa e uma belga e o banco belga Delta Lloyd Bank Belgium, e no mercado chinês tem vindo a reforçar a posição num dos principais bancos privados chinês, o Minsheng Banking Group.

Ao contrário da Fosun e da Apollo, que já tem presença em Portugal e no setor financeiro, a aquisição do Novo Banco seria a estreia da Anbang em Portugal. E mais um grande investimento chinês em ativos nacionais.