Os taxistas vão sair à rua em protesto contra a Uber no início de setembro, porque querem”fazer cumprir a lei” e Florêncio de Almeida, presidente da Associação Nacional dos Transportes Rodoviários em Automóveis Ligeiros (ANTRAL) já alertou que “as coisas podem descambar para uma área que não quer“. Ainda sem data oficial para as manifestações dos profissionais de táxi, o aviso está feito.

“Queremos alertar os senhores da Uber para terem atenção, porque a paciência tem limites e as coisas podem descambar para uma área que a ANTRAL não quer. Veja o que se passou noutros países, como em França e outros. Mas esta é a última arma que qualquer cidadão deve utilizar”, afirmou ao Observador.

A Uber já reagiu à notícia dos protestos e adiantou que “qualquer grupo tem o direito de se manifestar, desde que estas manifestações decorram de forma pacífica“. Contudo, sublinha ao Observador que espera “que a moderação e o bom senso prevaleçam“.

A empresa que disponibiliza uma plataforma que liga utilizadores e motoristas privados está impedida de operar no país desde abril, na sequência de uma providência cautelar interposta pela ANTRAL, que foi aceite pelo tribunal da comarca de Lisboa. O processo está agora a aguardar a decisão do recurso apresentado pela Uber.

Especificando que em Portugal a tecnológica opera “inteiramente de acordo com a legislação em vigor, exclusivamente com parceiros licenciados que pagam impostos em cada viagem realizada na plataforma”, fonte oficial da empresa adiantou que a “Uber está a sempre aberta à discussão”, porque acredita no diálogo e entendimento mútuo com os operadores do setor.

“A tecnologia pode ser disruptiva por vezes, em particular para o setor do táxi que tem vindo a atravessar diversos desafios ao longo dos últimos anos. No entanto, a tecnologia é também uma ferramenta poderosa para modernizar e melhorar o setor da mobilidade como um todo”, referiu.

Já os taxistas não se deixam convencer. Florêncio de Almeida diz que o Governo tem de “fazer cumprir a lei e que não pode dar cobertura a empresa que estão ilegais”. O presidente da ANTRAL refere que os protestos vão decorrer antes de 15 de setembro, porque não é seu objetivo interferir com a campanha eleitoral, mas não hesita em dizer que “um Governo que não faz cumprir a lei é um governo que está fora da lei e que não deve governar“.

Fonte oficial da Uber explica que a empresa está empenhada em trazer uma alternativa de mobilidade urbana que beneficie utilizadores, motoristas e as cidades para Portugal. Sobre os protestos, diz que a segurança é a sua “principal e absoluta prioridade”.

“Trabalharemos sempre com as autoridades para garantir a segurança de utilizadores, motoristas e das comunidades que servimos. Esperamos, no entanto, que a moderação e o bom senso prevaleçam”, refere.

Quatro meses depois do início da providência cautelar, os carros dos serviços UberX e UberBlack continuam na rua, apesar da polémica, e a plataforma tem tido um “crescimento significativo” tanto em Lisboa como no Porto, as duas cidades que disponibilizam os serviços. “[Este crescimento] dá-nos um indicador muito positivo de que, de facto, estamos a ajudar a melhorar a mobilidade nas cidades portuguesas“, afirmou fonte oficial da empresa.

A Uber explicou que mantém os serviços ativos, porque a notificação da providência cautelar aceite pelo tribunal “não abrangia a atividade” da plataforma tecnológica no país e referia-se a um serviço (UberPop) que não está disponível em Portugal. A tecnológica apresentou defesa em tribunal, mas as medidas cautelares interpostas mantiveram-se. A Uber apresentou recurso e aguarda decisão.