O candidato presidencial Paulo Morais defendeu esta quarta-feira a necessidade de uma “convergência salarial” entre Portugal e os restantes países europeus, afirmando que o modelo económico português assenta em “salários de miséria”.

“Toda a estrutura económica, todo o setor empresarial do Estado, o setor privado, o setor social, todos têm de se organizar por forma a que haja muito rapidamente uma convergência salarial dos portugueses com os outros países europeus”, afirmou à Lusa após uma reunião com a CGTP, em Lisboa.

Na opinião de Paulo Morais, era esperado que a adesão de Portugal à União Europeia “levasse a uma convergência ao nível salarial, por um lado, mas também ao nível do desenvolvimento, ao nível da qualidade de vida, e o que tem acontecido infelizmente é exatamente o contrário”.

“Para além de uma necessidade que há de valorização do fator trabalho em Portugal, nós temos de sair deste modelo económico assente em salários de miséria”, continuou, acrescentando que “nenhum país do mundo jamais de desenvolveu com salários de miséria”.

Para o candidato, “Portugal só será desenvolvido se começar a valorizar o seu recurso maior, que são os recursos humanos, e em particular o fator trabalho”, acrescentando que “não faz qualquer sentido um país, ainda por cima um país em estado de pobreza, desperdiçar o seu fator trabalho com esta dimensão”.

No que toca à reunião com a CGTP, Paulo Morais afirmou ter debatido “um conjunto de questões que tem a ver com o fator trabalho”, acrescentando que o tema é uma das suas grandes preocupações.

“Mais importante do que os recursos financeiros, os recursos patrimoniais de qualquer ordem, os recursos mais importantes são, numa atividade económica qualquer, em qualquer país do mundo, o fator trabalho e por isso a questão do trabalho preocupa-me muito enquanto candidato”, vincou.

O secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, afirmou que outro dos temas discutidos com Paulo Morais foi “a necessidade de se valorizar e credibilizar a Presidência da República, enaltecendo aqui o papel do trabalho e dignificação dos trabalhadores”, assim como a corrupção e a “necessidade de haver transparência na vida pública”.

Questionado acerca da sua campanha eleitoral, Paulo Morais afirmou que vai “suspender a campanha completamente” durante o período das legislativas. “No início de setembro irei suspender [a campanha], até ao final das eleições legislativas”, referiu.