A poucas horas do início das eleições gerais, cerca de uma centena de nacionais da Guatemala realizaram hoje um velório simbólico para a democracia, que consideram morta.

“Quebremos o ciclo da nossa desgraça, estas eleições não são a democracia”, entoavam em coro repetidamente os guatemaltecos que pediam o fim do processo eleitoral que culmina hoje, quando 7,5 milhões de eleitores são chamadas às urnas para eleger quase 4.000 cargos públicos.

A abertura das urnas no país com uma população de 15,8 milhões de pessoas está prevista para as 07:00 (14:00 em Lisboa) de hoje, dia em que é esperada forte precitação, típica da estação das chuvas. As assembleias de voto encerram às 18:00 (01:00 de segunda-feira em Lisboa), sendo os resultados preliminares aguardados após as 21:00 locais (03:00 na hora portuguesa).

Na noite de sábado, estudantes encapuzados, mulheres com véus e velas e até crianças cantaram o hino nacional, mas com uma letra especial, alegando que a democracia morreu com os mais recentes escândalos de corrupção, que provocaram a demissão e prisão do ex-presidente Otto Pérez Molina esta semana.

Maldonado, de 79 anos, e que desempenhava o cargo de vice-presidente da Guatemala, prestou juramento na quinta-feira como Presidente perante o Congresso, tal como estabelece a Constituição em caso de ausência “absoluta ou temporal” do Presidente.

A primeira medida de Maldonado foi pedir a renúncia de todos os ministros, secretários e altos funcionários do Governo.

A manifestação deste sábado começou na Igreja El Calvario, passando pelo Tribunal Constitucional, o Congresso, o Palácio Nacional da Cultura e o Tribunal Supremo Eleitoral.

Na marcha, os participantes transportaram um caixão no qual, simbolicamente, repousava a democracia de Guatemala.

O escândalo rebentou em meados de abril, quando a Comissão Internacional Contra a impunidade na Guatemala, entidade da ONU com a função de sanear o sistema judiciário, infiltrado pelo crime organizado, acusou um dos principais assessores da vice-Presidente, Roxana Baldetti, de envolvimento numa rede de contrabando e fraude aos impostos.

Desde então, os guatemaltecos saem à rua todos os sábados para exigir o fim da corrupção e da impunidade.