Alexis Tsipras, reeleito primeiro-ministro da Grécia no domingo, formou esta terça-feira o seu novo governo de coligação Syriza-Gregos Independentes, no qual mantém o professor de Economia Euclid Tsakalotos como ministro das Finanças, anunciou a porta-voz do governo. Uma das poucas novidades é a nomeação de Dimitris Kammenos para ministro-adjunto das Infraestruturas e Transportes, alguém que é visto como alguém que difunde teorias da conspiração e que foi criticado pela comunidade judia.

O cargo de ministro-adjunto das Finanças vai ser ocupado por Georges Chouliarakis, o principal negociador da Grécia para a aplicação do terceiro programa de resgate e ministro das Finanças cessante do governo provisório, disse a porta-voz, Olga Gerovassili.

Uma das poucas novidades é a nomeação de Giorgios Houliarakis como responsável pelo Tesouro grego. Este académico foi ministro das Finanças durante o governo interino que assumiu funções entre a queda do governo e as eleições de dia 20.

O líder dos Gregos Independentes, Panos Kammenos, mantém-se como ministro da Defesa, única pasta nas mãos do partido nacionalista.

Entre outros ministros que se mantêm no cargo estão Nikos Kotsias, nos Negócios Estrangeiros, e George Stathakis na Economia. Panos Skourletis também se mantém com a pasta da Energia, que herdou em julho de Panagiotis Lafazanis, que abandonou o governo para liderar os rebeldes do Syriza na formação da Unidade Popular, um partido que acabou por não ter impacto no eleitorado.

Ministro-adjunto dos Transportes acusado de anti-semitismo

Novidade foi, também, a nomeação de Dimitris Kammenos, um deputado independente mas das listas dos Gregos Independentes, que é acusado de espalhar teorias da conspiração anti-semitas. Kammenos, que partilha o mesmo apelido do líder do partido (Panos Kammenos) mas não tem qualquer relação familiar.

Kammenos, Dimitris, várias vezes defendeu que foi o Estado de Israel que esteve por trás dos ataques terroristas do 11 de setembro de 2001. Como conta o Kathimerini, Kammenos argumenta que várias pessoas judias que trabalhavam nas Torres Gémeas foram avisadas antes dos ataques, para não estarem nos edifícios.

Em junho, antes do colapso das negociações entre os credores e o governo grego que levou à marcação do referendo, Kammenos colocou no Facebook uma imagem da entrada do campo de concentração nazi de Auschwitz que tinha a legenda “Vamos permanecer na Europa”. Kammenos, criticado por várias organizações ligadas à comunidade judia, acabou por pedir desculpa pela publicação.

“Talvez a comparação tenha sido infeliz, mas o meu país está a viver um holocausto económico”, justificou Kammenos.