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Até 11 milhões de carros da Volkswagen afetados. Presidente Winterkorn de saída

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Afinal, até 11 milhões de automóveis Volkswagen em todo o mundo poderão ter sido equipados com o mecanismo fraudulento. Presidente-executivo já estará de saída. Merkel já comentou.

DANIEL ROLAND/AFP/Getty Images

We’ve screwed up“. Depois de a Volkswagen ter sido acusada de manipular os testes de emissões de poluentes e de o escândalo ter provocado uma enorme queda das ações na bolsa de Frankfurt, o chefe da marca nos Estados Unidos, Michael Horn, já veio pedir desculpas, dirigindo-se diretamente aos consumidores norte-americanos. A empresa anunciou, entretanto, que irá imediatamente constituir uma provisão de 6,5 mil milhões de euros para resolver o problema dos carros a diesel nos EUA. Até 11 milhões de veículos podem ter sido equipados com o mecanismo que escondia a quantidade real de emissões poluentes.

O escândalo teve origem, no fim de semana, nos EUA, mas parece estar a alastrar-se ao resto do mundo. Afinal, segundo comunicado do Grupo Volkswagen, até 11 milhões de veículos das marcas do grupo poderão ter recebido o defeat device que permitia aos carros mascarar a quantidade de emissões poluentes quando eram submetidos aos testes em laboratório. O número total poderá, assim, ser mais de 20 vezes o número de veículos inicialmente avançado: menos de 500 mil.

A imprensa alemã está, entretanto, a noticiar que Martin Winterkorn será substituído por Matthias Mueller, da Porsche, na liderança executiva da Volkswagen. O Tagesspiegel adianta que haverá duas reuniões esta semana, quarta e sexta-feira, dos comités de supervisão da Volkswagen, que deverão formalizar a dispensa de Winterkorn e a contratação do novo chief executive officer (CEO).

A chanceler alemã, Angela Merkel, já comentou a polémica, exigindo que a situação seja clarificada rapidamente. “Tendo em conta a complexidade da situação, tem de existir transparência total e um esforço para clarificar todo este problema”, afirmou esta terça-feira a chanceler alemã. “Espero que os factos sejam colocados em cima da mesa rapidamente”, rematou.

Volkswagen Group CEO Martin Winterkorn speaks at the launch of new vehicles from the car manufacturer at the Fraport arena prior to the 66th IAA auto show in Frankfurt am Main, western Germany on September 14, 2015. Volkswagen group showed their latest models and automotive concepts from the brands Volkswagen, Audi, Bentley, Bugatti, Ducati, Lamborghini, Porsche, Seat and Skoda. Hundreds of thousands of visitors are expected to crowd into the massive exhibition halls of Frankfurt's sprawling trade fair grounds later this week to catch a glimpse of the latest models and high tech innovations. AFP PHOTO / ODD ANDERSEN (Photo credit should read ODD ANDERSEN/AFP/Getty Images)

Martin Winterkorn estará de saída. Mas a Volkswagen desmente. (ODD ANDERSEN/AFP/Getty Images)

No mesmo comunicado, a Volkswagen informou que planeia colocar de parte 6,5 mil milhões de euros para cobrir os custos associados às irregularidades descobertas. As autoridades da Alemanha, França, Coreia do Sul e Itália estão entre os países que já disseram que estão a seguir o caso de perto. O ministro das Finanças francês pediu esta terça-feira que seja realizada uma investigação “em toda a Europa”. Michel Sapin disse à rádio francesa que, de modo a “tranquilizar” o público, é “necessário” levar a cabo verificações nos carros fabricados por outras empresas europeias, mostrando a sua confiança de que as fabricantes francesas “não terão tido a mesma conduta que a Volkswagen”.

Volkswagen perde mais de um terço do valor em bolsa

As notícias mais recentes estão a levar as ações da Volkswagen a terem mais uma sessão negra na bolsa. Nestes dois dias, a empresa já perdeu mais de um terço da sua capitalização bolsista. Na linha de baixo, as barras mostram o aumento da liquidez das ações da Volkswagen, o que é um indicador do pânico que paira, estes dias, sobre a empresa.

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De Bruxelas chegou esta terça-feira a informação de que a Comissão Europeia entende que é “prematuro” confirmar a abertura de uma investigação europeia sobre esta matéria, como pediu Michel Sapin. “Estamos a acompanhar o tema com seriedade”, disse uma porta-voz da Comissão Europeia à Agence France Presse (AFP). Bruxelas está em contacto com as autoridades dos EUA e o grupo Volkswagen.

“Estão a decorrer averiguações dentro da Volkswagen, nos EUA e na Alemanha. Portanto, é prematuro comentar se vão ser estabelecidas medidas específicas também na Europa e sobre se os veículos vendidos na Europa também terão sido afetados”, acrescentou.

Fizemos uma asneira”

“Fizemos uma asneira, por completo“, admitiu Michael Horn. “Temos sido desonestos com a Agência de proteção ambiental (EPA), temos sido desonestos com o conselho da agência que lida com o ar da Califórnia (ARB) e temos sido desonestos consigo”, acrescentou, dirigindo-se ao consumidor em declarações citadas pelas agências noticiosas internacionais.

A EPA e a ARB confirmaram na sexta-feira que a Volkswagen tinha instalado um dispositivo em mais de meio milhão de carros a diesel, que permitia enganar os testes de controlo de emissões de poluentes. A fraude foi descoberta por acaso por um grupo de cientistas independentes, ligados a uma associação pelo transporte limpo.

Michael Horn pretende conquistar de novo a confiança dos consumidores, explicando que aquela conduta não faz parte dos valores da marca. O representante fez estas declarações na segunda-feira, em Brooklyn, Nova Iorque, durante a apresentação de um novo modelo Passat, em que o músico Lenny Kravitz foi artista convidado.

Desde que o escândalo foi divulgado, nenhum representante executivo da Volkswagen nos Estados Unidos aceitou responder a perguntas, tendo inclusive cancelado entrevistas previamente acordadas. “Estamos comprometidos a fazer o que deve ser feito e começar a restaurar a confiança”, declarou Horn. “Pagaremos o que é devido”, acrescentou.

A Volkswagen arrisca-se a ter de pagar multas que podem exceder os 15 mil milhões de euros. O Departamento de justiça dos Estados Unidos está, ainda, a conduzir uma investigação criminal, que pode instaurar vários processos aos seus executivos.

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