Mais de 10 biliões de euros anuais no PIB mundial a partir de 2025. Podem ser esses os benefícios para a economia se todos os países começarem a fazer progressos significativos na promoção da igualdade de oportunidades entre homens e mulheres no acesso ao mercado de trabalho.

A conclusão é de um estudo do Instituto Global McKinsey, citado pelo Guardian, que afirma que o valor – equivalente aos PIBs do Japão, Alemanha e Reino Unido juntos – pode ser alcançado caso sejam feitas uma série de reformas por todo o mundo.

Estas reformas incluem não só a promoção de maior número de mulheres com oportunidade de entrar no mercado de trabalho, como também a realocação de mulheres que já trabalham em atividades mais produtivas, como as agrícolas e as de manufatura.

As mulheres já contribuem para cerca de 40% do PIB nos Estados Unidos e na Europa ocidental, mas no Médio Oriente e norte de África esse valor é de apenas 18%, enquanto na Índia as mulheres são responsáveis por apenas 17% do Produto Interno Bruto nacional. Os valores foram apurados por uma divisão de investigações do Instituto já referido.

No relatório, é afirmado ainda que “compreender as vantagens económicas da paridade laboral exige que o mundo enfrente os principais fatores que originam a falta de igualdade de direitos entre os dois géneros, como a educação, a saúde, a conetividade, a segurança e o papel da mulher no trabalho escravo”. Anu Madgavkar, uma das autoras deste novo estudo do Instituto Global McKinsey, cita países como o Chile, Bangladesh e Marrocos como exemplo de países que nos últimos anos têm conseguido implementar medidas que reduzam a desigualdade entre homens e mulheres no mercado de trabalho.

A investigadora acrescentou ainda ao Guardian que é importante desconstruir o mito ainda existente de que ter mais mulheres a trabalhar prejudicará a vida familiar, e disse ainda que as mudanças não podem vir apenas de políticas governamentais mas também da sociedade civil. Segundo Anu Madgakvar, “as mudanças deverão partir de diferentes quadrantes por razões distintas: as próprias mulheres em partes diferentes do mundo (…) estão a erguer a sua voz”.

Em junho deste ano, o Instituto Europeu da Igualdade de Género classificou Portugal como o terceiro país da União Europeia com maiores índices de desigualdade entre homens e mulheres, ficando apenas atrás da Roménia e da Eslováquia.