O presidente da Câmara de Lamego deu o mote: “Vamos afirmar Viseu como o passistão, e dar uma maioria grande e boa para a coligação”. Terá sido a primeira vez que o distrito de Viseu, há mais de 20 anos intitulado de “cavaquistão”, foi rebaptizado. Só Passos teve essa honra, mas Paulo Portas, aproveitando a deixa, tentava tirar protagonismo a Passos: “No domingo teremos o pafistão”. Só que Passos Coelho não perdoou e, quando chegou a sua vez, deixou a alfinetada: “O facto de o líder do CDS falar em passistão mostra bem o estado coeso da nossa coligação”, brincou. Só que Portas não se tinha referido ao bastião de Passos, mas sim ao bastião da PàF (Portugal à Frente). Pormenores.

Bom, cavaquistão é que não é de certeza. Em tempos o distrito de Viseu foi considerado o “cavaquistão”, pela elevada expressão de votos laranja conseguidos no tempo de Cavaco Silva, mas agora, entre a candidatura da coligação todos concordam que Cavaco pode finalmente passar o testemunho: ora para Passos, o próprio, ora para a PàF, se quisermos incluir Portas na equação.

Depois de visitar um lar de idosos da Santa Casa da Misericórdia de Resende, onde Passos confidenciou que andava há três dias com um crucifixo no bolso – oferecido em Leiria pelo diretor da Santa Casa com “tanto amor e carinho” que Passos não se consegue “separar dele” – o líder do PSD fez uma paragem-relâmpago no centro de Lamego para ouvir a Estudantina e afinar os dotes musicais. Depois, partiu para um hotel em Lamego, onde lhe esperava um almoço com apoiantes. Assim vai o estado da campanha, com “muita fé” e a cantarolar. 

Mas, a avaliar pelo tamanho da sala reservada para o almoço em Viseu (mais reduzida do que o habitual nos outros distritos) o cavaquistão ainda não se transformou de facto no passistão (ou no pafistão, perdão). Falando para a plateia de apoiantes, Passos Coelho voltou a pedir “estabilidade” e uma “maioria no Parlamento” igual à que Portugal teve nos últimos quatro anos: “estável e ao serviço dos portugueses”. E, para isso, pediu “prudência” e acenou com o medo das “circunstâncias externas”.

“Se os próximos anos forem anos de crise política e instabilidade, voltaremos a pôr-nos à mercê das circunstâncias, mas se fizermos o nosso trabalho de casa e tivermos condições estáveis para governar então nós estaremos prevenidos e estaremos mais coesos para fazer face a qualquer imprevisto que aconteça”, disse, sublinhando que, apesar da Grécia e de tudo, Portugal goza agora de circunstâncias externas mais favoráveis. Não se sabe é até quando. “Se nenhum imprevisto acontecer, então fantástico, que isso será ainda melhor para todos nós”.

A linha discursiva, em Viseu, em Coimbra e em Leiria, onde a caravana tem estado nos últimos três dias, tem sido, de resto, sempre a mesma: longe estão os ataques cerrados a António Costa, agora só interessa o apelo à ida às urnas para votar, não por este ou aquele partido, mas sim por “Portugal”.

Para isso, Passos pôs-se na pele do cidadão comum a quem quer chegar, plantando neles um pensamento: “Não sou nem do PSD nem do CDS, senti na pele os efeitos das medidas que se tomaram nos últimos anos, mas percebo hoje que os sacrifícios não foram em vão, nem atirados janela fora. Não tenho de me converter em partido nenhum para defender os interesses do meu país”, disse.

Também Paulo Portas, que nesta fase funciona quase como um duplo de Passos na reprodução da mesma mensagem, se lembrou daquilo que uma senhora lhe disse ontem em Praia de Mira: “não deixem a estabilidade morrer na praia”, e pediu, para isso, uma “maioria tranquila e estável” para Portugal ter “mais quatro anos de crescimento e recuperação”.

Sobre as circunstâncias externas referidas por Passos, Paulo Portas foi mais insistente. “Quando há crises lá fora, elas afetam e contagiam os outros países, e quando a economia global dá, por vezes, cenários preocupantes, temos de nos prevenir”, disse, deixando um apelo: “Quanto mais for a incerteza da economia internacional maior certeza política devem os portugueses ajudar a criar”. Certeza neste caso quer dizer “governar ao centro” e dar “uma maioria positiva” à coligação, e não governar à “esquerda, com bota abaixo” e com uma “maioria negativa de bloqueio e obstrução”.