O advogado de José Sócrates, João Araújo, acusou, esta terça-feira, o Procurador responsável pelo caso ‘Operação Marquês’ de censura e reiterou, uma vez mais, não existirem provas contra o seu cliente. “Se fosse jornalista, o que eu perguntaria era o que é que o Ministério Público quer esconder, o que é que está no processo que eles não querem que se saiba”, atirou o advogado, alegando que o MP quer esconder “até à última” que o ex-primeiro-ministro foi preso sem “terem provas e factos”.

Foi nesse contexto que o advogado falou na “censura” que existe no acórdão, “relativamente à violação sistemática dos direitos de defesa do arguido pelo senhor Procurador da República e [relativamente à] complacência do senhor Juiz de Instrução [Carlos Alexandre] com essa violação”. Araújo argumentou ainda que a “censura” é, mais do que a violação do segredo de justiça, “o que mais marca este acórdão”.

Araújo falava em direto à SIC Notícias a propósito do pedido de nulidade que o Ministério Público entregou, na passada segunda-feira, no Tribunal da Relação de Lisboa (TRL), a contestar o acórdão daquele tribunal, cujos relatores são Rui Rangel e Francisco Caramelo, que decidiu o fim do segredo de justiça interno no processo em que o ex-primeiro-ministro é arguido. O requerimento em causa, que agora terá de ser analisado no prazo de dez dias úteis, pode anular a decisão que, a 24 de setembro, ditou o fim do segredo de justiça interna, algo que permitiria à defesa de Sócrates ter acesso total ao processo e às provas que o mesmo contem.

Perante este pedido, Araújo diz que “não vai recorrer”, mas sim responder “amanhã de manhã”.