O presidente da Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC), Carlos Magno, disse à Lusa que não subscreveu a abertura do processo contra a RTP por considerar que não vai trazer “nada de novo”.

A ERC anunciou hoje a abertura de um processo contra a RTP devido à “notícia do Telejornal de ontem [quarta-feira] sobre os novos deputados”, explicando que a abertura do mesmo “deve-se a indícios de violação de direitos fundamentais dos cidadãos”.

O anúncio da abertura do processo pelo regulador dos media surge depois da direção de informação da RTP ter esclarecido que se tratou de “um erro não intencional” a referência no feminino, feita pelo apresentador José Rodrigues dos Santos, quando falava do deputado eleito pelo PS Alexandre Quintanilha, a quem já foram pedidas desculpas.

Em declarações à agência Lusa, o presidente da ERC explicou porque não subscreveu a abertura do processo.

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“Não subscrevi a abertura deste procedimento porque não acho que ele venha a trazer nada de novo”, começou por dizer Carlos Magno.

“Antes de tomar uma posição quis falar com Alexandre Quintanilha e José Rodrigues dos Santos. Neste momento já tenho uma explicação provisória que muito provavelmente será definitiva se nada de novo vier a revelar-se depois desta excitação toda”, salientou.

“Tendo em conta o que aconteceu com os paralíticos gregos, não participo na caça às bruxas do José Rodrigues dos Santos”, concluiu o presidente do regulador dos media.

A direção de informação da RTP, liderada por Paulo Dentinho, explicou que “no Telejornal de ontem [quarta-feira], por lamentável equívoco, decorrente de um erro não intencional, foi referido que o deputado mais velho eleito [Alexandre Quintanilha] para o parlamento era uma mulher”.

“Na verdade, esta associação aconteceu porque na peça fazia-se referência a uma mulher eleita pelo Bloco de Esquerda, uma pensionista de 68 anos. O apresentador [José Rodrigues dos Santos], quando lançou a reportagem, acreditou que se tratava da mesma pessoa”, esclareceu a direção de informação da RTP.

“Os erros são sempre de evitar, mas como qualquer pessoa que trabalha no jornalismo, ou em qualquer outra profissão, por vezes acontecem. De qualquer modo, a reportagem esclareceu de imediato o erro ao mostrar que o deputado de 70 anos era na realidade um homem”, adiantou.

O diretor de informação da RTP já “falou pessoalmente com o visado, a quem apresentou as desculpas pelo facto”, refere o comunicado da estação pública.