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TAP. Vontade do Governo e do comprador “não casam bem”

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O Governo apenas apresentou "a vontade" de ter o controlo da empresa e consórcio comprador da TAP insistiu que não sai da sua posição. Humberto Pedrosa e David Neeleman dizem que nem houve negociação.

Paulo Spranger

Foi a primeira reunião formal, depois de alguns contactos informais. Depois de cerca de uma hora de reunião entre Governo e o consórcio vencedor da TAP não houve nem um avanço na conversa. O ministro do Planeamento, Pedro Marques, fez uma “apresentação simpática” da intenção de retomar para o Estado o controlo maioritário da empresa e o consórcio não saiu da sua posição. “Não foi uma negociação”, garantiu Humberto Pedrosa, o sócio português do consórcio Gateway aos jornalistas. Para já, não há mais reuniões agendadas.

O ministro do Planeamento não terá feito uma proposta final e formal. David Neeleman disse aos jornalistas que “vai cumprir o contrato” que assinaram e que esse contrato já tem “muitas restrições”. “Assinámos o contrato com muitas restrições, há quem fale da situação dos terrenos, estamos a fazer o que temos de fazer para ter dinheiro para que a TAP se salve. Assinamos um acordo que não podíamos tirar um cêntimo de lucro até que a dívida esteja paga. Estamos a investir muito para salvar a empresa”, disse.

A Gateway já terá aplicado 150 milhões de euros de uma recapitalização prevista da TAP para resolver questões urgentes de tesouraria. Os novos acionistas, que mantiveram Fernando Pinto na liderada da companhias, lançaram também o processo de encomenda de novos aviões.

Aos jornalistas, o empresário americano, dono da Azul, não explicou se está disponível para a negociação, repetiu apenas a intenção de cumprir com o contrato que assinou ainda com o anterior Governo. “Já temos muitas restrições. A situação da TAP é difícil. Já pagámos muita dívida”. “Estamos a lutar dia-a-dia. A TAP tem de ser salva”, disse.

“Não foi apresentada proposta. Conversámos. Explicámos o que estamos a fazer e a situação da TAP que não é fácil”, disse o investidor.

Também aos jornalistas, Humberto Pedrosa explicou que “o Governo tem um projeto, que é querer a maioria da companhia e nós temos o nosso projeto”. “O Governo tem um projeto que é ser maioritário e nós temos o nosso projeto que é sermos maioritários e isso não casa uma coisa com a outra”, disse com a outra, repetiu. Contudo também não explicou se está disponível para rever a sua posição ou se sairá da empresa caso o Governo insista em ter controlo maioritário.

O consórcio Gateway comprou 61% do capital da TAP, uma operação finalizada nos últimos dias do anterior governo, e que aguarda ainda o parecer final da ANAC (Autoridade Nacional da Aviação Civil).

O governo quer recuperar 51% do capital da TAP, o que implica reduzir a participação dos privados para 49%, ou mesmo 44%, se entretanto for concretizada a venda da tranche de 5% do capital aos trabalhadores. Mas ainda não se conhece a estratégia e os argumentos usados para convencer os acionistas privados que não estarão dispostos a ceder na gestão privada da TAP.

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Tiago Dores
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