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O Papa Francisco indicou esta segunda-feira, num discurso proferido no Vaticano à Cúria, as “12 virtudes necessárias” para que a Igreja Católica supere os escândalos administrativos dos últimos anos e realize uma reforma administrativa interna. A lista faz alusão ao discurso realizado no mesmo evento no ano passado, quando o líder enumerou as 15 “doenças” que ameaçam a Igreja e a Cúria romana, como o “alzheimer espiritual”, o “sentimento de imortalidade”, “a mundanidade”, “o exibicionismo” ou “a vaidade”.

“Doenças e até mesmo escândalos não podem obscurecer a eficiência dos serviços prestados pelo Papa e por toda a igreja da Cúria Romana, com grande esforço, responsabilidade, compromisso e dedicação”, explicou. A receita do Papa Francisco vem em pares e foi divulgada pela assessoria de imprensa do Vaticano. O texto inclui:

  • Ser missionário e pastorar: “A fé é um dom, mas a medida da nossa fé demonstra-se também pela nossa aptidão para comunicá-la”.
  • Idoneidade e sagacidade: “Idoneidade é a capacidade de realizar do melhor modo as próprias tarefas e atividades, com inteligência e intuição, enquanto a sagacidade é a prontidão de espírito para compreender e lidar com situações com sabedoria e criatividade”.
  • Espiritualidade e humanidade: “Espiritualidade é a espinha dorsal de qualquer serviço na Igreja e na vida cristã. Isso alimenta todas as nossas ações, corrige e protege a fragilidade humana das tentações diárias. A humanidade é algo que encarna a autenticidade da nossa fé”.
  • Exemplaridade e fidelidade: “Exemplaridade para evitar os escândalos que ferem almas e ameaçam a credibilidade do nosso testemunho. (…) A fidelidade à nossa consagração, à nossa vocação”.
  • Racionalidade e bondade: “A racionalidade serve para evitar os excessos emocionais e a bondade para evitar o excesso de burocracia”.
  • Segurança e determinação: “Segurança é a capacidade de fazer o melhor de nós mesmos, dos outros e de situações, agindo com cuidado e compreensão. (…) Determinação é a capacidade de agir com firmeza, visão clara e obediência a Deus”.
  • Caridade e verdade: “Realizar a verdade na caridade e viver a caridade na verdade”.
  • Honestidade e maturidade: “A honestidade é a base sobre a qual todas as outras qualidades são suportadas. (…) Maturidade é o esforço para alcançar a harmonia entre as nossas capacidades físicas, mentais e espirituais”.
  • Respeito e humildade: “O respeito é uma qualidade de almas nobres e sensíveis; a humildade é a virtude dos santos e pessoas cheias de Deus.”
  • Generosidade e atenção: “Seremos muito mais generosos de alma e de dar, quanto mais confiança tenhamos em Deus e na sua providência. (…) A atenção consiste em cuidar dos detalhes e oferecer o melhor de nós mesmos”.
  • Coragem e prontidão: “Ser corajoso significa não deixar ser intimidado pelas dificuldades. (…) Prontidão, por sua vez, é saber como agir com liberdade e agilidade, sem apego às coisas materiais efémeras”.
  • Disponibilidade e sobriedade: “Uma pessoa disponível é quem sabe manter os compromissos com seriedade e confiabilidade para cumpri-los. (…) Sobriedade é a prudência, simplicidade, essencialidade, equilíbrio e moderação”.

“A reforma da Cúria vai avançar com determinação, lucidez e determinação”, concluiu o papa.

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