Yanis Varoufakis

Na despedida de 2015, Varoufakis não poupa nada nem ninguém

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Eurogrupo é um "sítio de psicopatas". Dijsselbloem é uma "marioneta" ao serviço do "ventríloquo" Schäuble. Tsipras agiu "pelas suas costas". Quer ler mais da entrevista arrasadora de Varoufakis?

AFP/Getty Images

Uma das figuras de destaque do ano que está prestes a terminar, o grego Yanis Varoufakis, despede-se de 2015 com uma entrevista arrasadora a um jornal holandês. Dijsselbloem, Schäuble, até Tsipras – Varoufakis não poupa ninguém. O Politico traduziu a entrevista ao jornal De Volkskrant e deixamos-lhe, aqui, algumas das melhores tiradas do ex-ministro das Finanças da Grécia.

Quiseram livrar-se de mim porque eu sabia do que falava.

Fizeram correr muita tinta nos jornais internacionais as participações do ministro grego nas reuniões dos ministros das Finanças do Eurogrupo. Muitas vezes se escreveu que os outros ministros sentiram que Varoufakis aparecia nesses encontros com uma atitude de professor, como se viesse dar aulas de Economia aos outros ministros.

Nada mais longe da verdade, diz Varoufakis. “Os meus discursos eram moderados, os meus planos bem medidos, os meus conselheiros não eram lunáticos de esquerda”, diz o grego, acrescentando: “Atiraram veneno e mentiras para cima de mim, retratando-me como um perigoso radical de esquerda quando, na verdade, eu era o ministro mais à direita ali”.

Os outros ministros do Eurogrupo, diz Varoufakis, quiseram “livrar-se” dele porque ele “sabia do que falava”.

Dijsselbloem é uma “marioneta” do “ventríloquo” Schäuble.

Impiedoso. Yanis Varoufakis garante que, apesar de o presidente do Eurogrupo ser o holandês Jeroen Dijsselbloem, é o alemão Wolfgang Schäuble quem domina as reuniões. “Ele é o ventríloquo que controla todas as marionetas. Todos os outros ministros são marionetas. É Schäuble quem decide quem se torna presidente [do Eurogrupo], quem determina a agenda, ele controla tudo”, garante Varoufakis.

Já o líder do Eurogrupo, a quem caberia gerir os acontecimentos, é “um elo numa máquina que ele próprio não compreende”. Criticando Jeroen Dijsselbloem, Varoufakis diz que “não tem qualquer poder real. Não tem autoridade, é um soldado, uma marioneta – não pode tomar qualquer decisão sem telefonar a Schäuble”.

Eurogrupo é um sítio ótimo – se fores um psicopata.

“Qualquer pessoa que fale em momentos maravilhosos no Eurogrupo deve ser, imediatamente, encarcerado por ser um lunático perigoso”, diz Varoufakis, segundo o Politico.

O ex-ministro das Finanças grego diz que o Eurogrupo é um “local muito desagradável, mesmo para Schäuble e Dijsselbloem”. “Desagradável” porque está cheio de “grandes egos e conflito contínuo”. Portanto, quem “for um psicopata e gostar de conflito, o Eurogrupo é um local ótimo”.

Draghi é um economista brilhante, mas frustrado.

Um elogio, para desenjoar. Yanis Varoufakis diz que Mario Draghi é um “economista brilhante”. Mas até o italiano, presidente do BCE, “sente-se frustrado pelas limitações sufocantes do mandato do BCE”.

Gravações secretas? Eu era o único com sentido de ética no Eurogrupo.

Yanis Varoufakis confirma que gravou, secretamente, todas as reuniões do Eurogrupo em que participou – algo que, a certa altura, deu uma polémica enorme na zona euro. Mas eis como o grego justifica a sua conduta.

“Eu gravei todas as reuniões. Mas ninguém recebeu qualquer gravação proveniente de mim”, diz Varoufakis. “Entre todos os meus colegas que faziam todo o tipo de fugas de informação para a imprensa – especialmente considerações acerca de mim – eu era o único com um sentido de ética”, diz o ex-ministro das Finanças grego.

Confiei cegamente em Tsipras. Fiz mal.

É o maior arrependimento de Varoufakis, quase seis meses depois do pedido de demissão. “Confiei na unidade do governo grego, ou para ser mais preciso: a unidade dentro do gabinete de guerra de sete pessoas, incluindo o primeiro-ministro Alexis Tsipras e eu próprio”.

Varoufakis foi ainda mais específico: “Tsipras rendeu-se às exigências do Eurogrupo sem me consultar”.

“Estávamos junto todo o dia e toda a noite naquela altura. Dormia como se dorme numas trincheiras de guerra: algumas horas aqui e ali, com os sentidos todos em alerta”, diz Varoufakis.

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