O governo francês propôs esta quarta-feira que o parlamento vote uma revisão constitucional já em 2016, para impedir novos ataques terroristas, como os recentemente feitos em Paris por militantes do Estado Islâmico.

Se as alterações forem aprovadas, já no próximo ano, as autoridades francesas passarão a poder retirar a cidadania francesa aos cidadãos nascidos em solo francês, que tenham dupla-nacionalidade, a partir do momento em que estes forem condenados por atos terroristas. Para além disso, terão mais poder quando for decretado Estado de emergência, já que passarão a poder fazer buscas sem mandato e ordenar penas de prisão domiciliárias, sem estarem sujeitas a recurso judicial.

O primeiro-ministro francês, Manuel Valls, comentou a proposta esta quarta-feira, afirmando compreender “as implicações” da proposta e “os debates que pode provocar”. O líder do governo socialista francês disse ainda ser natural que “as pessoas se questionem às vezes quem somos, enquanto franceses e enquanto nação”, em declarações prestadas aos jornalistas após uma reunião do Conselho de ministros, que teve lugar esta quarta-feira. As declarações foram reproduzidas pelo Wall Street Journal.

A proposta já foi alvo de críticas, como as do historiador e cientista político francês Patrick Weil, que acusou o governo de estar a tentar “criar duas categorias de cidadãos” na Constituição do país e de ameaçar a “coesão social” em França, com as emendas propostas à lei fundamental do país.

Já o legislador de centro direita e ex-procurador do departamento antiterrorismo Alain Marsaud apoia as alterações, afirmando ao jornal norte-americano que “a França está finalmente a acordar para o facto de que, mais do que qualquer outro, é um país [que está] em guerra”.

Segundo a publicação, que cita informações dadas pelo primeiro-ministro francês, Manuel Valls, mais de mil cidadãos franceses terão já viajado até ao Iraque e à Síria, sendo que 250 (ou seja, 25%) terão regressado mais tarde a solo francês, onde se encontram atualmente.